CEO da Stellantis pede desculpas por correia banhada a óleo; veja se seu carro é afetado
A Stellantis admite falhas na correia banhada a óleo e amplia garantia na Europa. Veja o que muda e o caso do Peugeot 208 no Brasil.


O CEO da Stellantis, Antonio Filosa, pediu desculpas públicas por falhas em motores com correia banhada a óleo, segundo a Quatro Rodas. A declaração foi feita no Salão de Paris e atinge sobretudo o mercado europeu, onde marcas como Peugeot, Citroën e Opel tiveram proprietários insatisfeitos.
No Brasil, a história é diferente, mas há dois casos que merecem atenção.
Como a correia banhada a óleo deu problema
A ideia era reduzir ruído e atrito. Ao ficar dentro do óleo, a correia fazia menos barulho no motor. O problema apareceu com o tempo.
Com a contaminação do lubrificante, a borracha resseca e começa a esfarelar. Os resíduos entopem dutos de óleo, o filtro de admissão e componentes como a bomba de vácuo dos freios.
A Stellantis e a fornecedora Continental tentaram aplicar uma laca protetora, mas o óleo continuou entrando pelas laterais. A saída final foi um componente mais reforçado e um plano de troca bem mais frequente.
Reprodução/Quatro Rodas. Fonte
Quem tem direito e quanto custa na Europa
- Troca da correia: antes a cada 6 anos ou 240.000 km; agora a cada 3 anos ou 60.000 km.
- Custo: cerca de 800 euros, ou R$ 4.880 pelo câmbio citado na reportagem. O serviço exige desmontar parte do motor.
- Garantia: ampliada para 10 anos ou 175.000 km nos carros afetados.
- Reembolso: a marca criou uma plataforma para quem já fez o conserto na rede oficial.
E no Brasil? O 208 e o caso Chevrolet
O único carro com essa mecânica vendido no Brasil foi o antigo Peugeot 208, com motor três cilindros 1.2 de 90 cv. Aqui, a fabricante já aplicou um plano mais rigoroso: troca da correia a cada 80.000 km, para prevenir quebras crônicas. Se você tem um 208 dessa geração, esse é o intervalo que conta.
O hatch deixou de usar esse motor e agora sai de fábrica com o 1.0 turbo da Fiat.
A Chevrolet tem caso parecido. Seus motores três cilindros 1.0 turbo e 1.2 turbo também usam correia no óleo. Ali, o problema veio do uso de lubrificante incorreto fora da rede concessionária. A marca trocou o componente por um reforçado e ampliou a garantia.
O que a Stellantis mudou depois
A marca abandonou o nome PureTech globalmente. Segundo Filosa, a montadora criou cem salas de crise na França e na Itália para acompanhar falhas antes da produção. A empresa afirma que os problemas relatados caíram cerca de 30% desde o início do ano.
Os novos projetos do motor 1.2 adotam corrente de comando metálica desde 2022. Esse padrão já equipa os sistemas MHEV da marca e os motores 1.0 e 1.3 GSE da Fiat e da Jeep, que, segundo a reportagem, escaparam da crise.
No Brasil, o caso ficou restrito ao antigo 208 e aos Chevrolet três cilindros com lubrificante errado. Na Europa, a correia no óleo virou custo, garantia ampliada e reembolso. A troca mais curta, de 3 anos ou 60.000 km, passou a valer por lá.
Fonte: Quatro Rodas


