Desenrola 3.0 já reúne dívida antiga, mas a fila para o consumidor ainda não abriu
Desenrola 3.0 começa a reunir dívidas de até R$ 10 mil: veja quem entra, o prazo dos bancos e quando sai o leilão previsto para novembro.

O governo começou a primeira etapa do Desenrola 3.0 e quer comprar dívidas antigas de até R$ 10 mil, mas o consumidor ainda não precisa procurar o banco. A Portaria MF nº 3.127, de 22 de outubro de 2026, saiu em edição extraordinária do Diário Oficial da União e convocou bancos e fundos para apresentar as carteiras que pretendem vender. O leilão está previsto para novembro.
Quem tem conta atrasada há anos costuma achar que esse movimento já abre a fila de renegociação. Não abre. Por enquanto, a conversa é só entre o governo e os credores.
Como funciona o chamamento do Desenrola 3.0
O edital se dirige a bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs. Cada um tem cinco dias úteis para informar quais dívidas pretende oferecer à União. É a mesma etapa que já tinha prazo de cinco dias úteis para os bancos e serve para medir o interesse dos credores e o volume por faixa de renda.
O processo tem quatro passos:
- chamamento, com a publicação do edital;
- apresentação das carteiras pelos credores;
- definição do leilão, com a análise do volume por faixa de renda;
- compra das dívidas, em leilão previsto para novembro e com chance de ir para o início de dezembro.
Para avançar, os credores precisam apresentar carteiras que sigam os critérios do programa e aceitar o desconto mínimo exigido.
Reprodução/image.winudf.com. Fonte
Quanto o governo pode gastar com as dívidas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou em R$ 90 bilhões o volume que pode aparecer na chamada. O programa exige deságio mínimo de 90%, então a União pagaria no máximo 10% do valor nominal. Na conta cheia, o gasto chegaria a R$ 9 bilhões, como mostramos quando os bancos podiam oferecer R$ 90 bi em dívidas antigas.
No lançamento, a projeção era maior: até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis e desembolso de cerca de R$ 15 bilhões. Os R$ 90 bilhões valem para a primeira chamada.
O governo não é obrigado a comprar tudo. A ideia é fixar um orçamento para o leilão e estimular a disputa entre os credores. Dependendo das carteiras recebidas, o desconto pedido pode chegar a 93% ou 95%.
Quais dívidas entram no programa
O Desenrola 3.0 nasceu de uma medida provisória assinada pelo presidente Lula em setembro. As regras de elegibilidade são estas:
- valor original de até R$ 10 mil;
- atraso entre 720 e 1.645 dias, o que dá de dois anos a quatro anos e meio;
- cartão de crédito, rotativo ou parcelado, e crédito pessoal sem consignação em folha;
- dívidas de pessoas físicas e de MEIs.
Segundo o ministro, o leilão será montado para favorecer devedores de menor renda e MEIs. Se faltar dívida de baixa renda, o governo poderá comprar mais da faixa de renda alta.
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O que o consumidor deve esperar depois do leilão
Depois da compra, as dívidas poderão ser renegociadas com os devedores, com repasse dos descontos obtidos no leilão. Será possível pagar à vista ou parcelar, e o parcelamento terá juros.
Prazos, taxas e condições operacionais ainda dependem do Conselho Monetário Nacional e de regulamentação. Até lá, o governo pede que ninguém procure o banco para participar desta etapa. Quem quiser acompanhar deve esperar o resultado da primeira chamada, que já foi detalhada na primeira etapa com os bancos, e o anúncio da data do leilão, previsto para novembro.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


