Jamie Dimon vê em Ted Lasso uma lição para chefes: apoiar a equipe sem deixar de cobrar
Jamie Dimon elogia Ted Lasso por combinar empatia e cobrança. Entenda a lição para chefes e o que uma pesquisa acrescenta ao debate sobre liderança.

Se você precisa cobrar resultados sem perder a confiança da equipe, Jamie Dimon vê em Ted Lasso um exemplo desse equilíbrio. O CEO do JPMorgan Chase elogiou a capacidade do treinador fictício de acolher inseguranças, enfrentar comportamentos inadequados e fazer pessoas diferentes trabalharem juntas.
Segundo reportagem do InfoMoney, que reproduz declarações ao Wall Street Journal, Dimon considera que grandes empresas poderiam aprender com essa combinação de empatia e determinação. Sua crítica se dirige a ambientes em que disputas internas e burocracia impedem profissionais capacitados de colaborar.
O tema tem consequências além da ficção. Uma pesquisa divulgada pela Universidade de Washington em 2023 encontrou relação entre a aprovação dos funcionários e a decisão dos conselhos de administração de manter ou demitir um CEO. O estudo ajuda a contextualizar por que a confiança na chefia merece atenção, mas não comprova que imitar um personagem produza resultados empresariais.
Para você, a aplicação está nas conversas de trabalho: compreender uma dificuldade e discutir o que precisa melhorar são tarefas que podem acontecer juntas. Na leitura de Dimon, apoiar a equipe não significa deixar comportamentos prejudiciais sem resposta.
O que Jamie Dimon destaca em Ted Lasso
Na série, Ted Lasso chega ao futebol inglês com experiência no futebol americano. Interpretado por Jason Sudeikis, ele precisa conquistar a confiança do AFC Richmond enquanto aprende sobre o esporte que passou a comandar.
Dimon destaca justamente a forma como o personagem trabalha com as pessoas. O treinador procura entender inseguranças, mas também lida com problemas de conduta e dedicação.
Para o executivo, empresas podem reunir bons profissionais e conhecimento acumulado sem conseguir aproveitar esse potencial. Disputas de poder e estruturas burocráticas, em sua avaliação, dificultam o trabalho coletivo.
Dimon também afirma que algumas pessoas preservam esse ambiente porque se beneficiam dele. Trata-se da avaliação do executivo sobre comportamentos corporativos, sem identificação de empresas ou indivíduos específicos na reportagem.
Empatia e cobrança na mesma conversa
Como você pode reconhecer a diferença entre apoiar alguém e evitar uma conversa necessária?
A distinção, a partir das falas de Dimon, está em investigar a dificuldade sem abandonar a discussão sobre responsabilidade. Ouvir o que aconteceu ajuda a entender o problema; explicitar o que precisa mudar mantém a cobrança.
Um exemplo ilustrativo seria uma entrega atrasada. A conversa pode começar pela identificação dos obstáculos e avançar para a definição do trabalho pendente, do apoio necessário e do compromisso seguinte.
Esse exemplo traduz a ideia apresentada pelo executivo, mas não é um procedimento anunciado pelo JPMorgan.
Ouvir a explicação e estabelecer expectativas são partes diferentes da mesma conversa.
Quadro de serviço: pontos para uma conversa de equipe
- Tema: liderança que combina apoio, responsabilidade e trabalho coletivo.
- Para quem interessa: gestores e profissionais que precisam discutir dificuldades com a chefia.
- O que esclarecer: qual problema ocorreu e como ele afetou o trabalho.
- O que ouvir: obstáculos, dúvidas e informações que ainda não chegaram ao gestor.
- O que combinar: apoio necessário, responsabilidades e próximos passos.
- Limite da notícia: as declarações não anunciam uma nova política de gestão ou benefício trabalhista.
O que a pesquisa acrescenta à discussão
No estudo divulgado pela Universidade de Washington, os pesquisadores analisaram avaliações de funcionários sobre seus CEOs e informações sobre a permanência desses executivos nos cargos.
A aprovação ou desaprovação dos trabalhadores ajudava a prever decisões de demissão tomadas pelos conselhos. A relação era especialmente relevante quando o CEO tinha menos poder diante do conselho.
O resultado não significa que uma avaliação negativa determine uma demissão. Mostra que a percepção dos funcionários pode oferecer informações sobre a liderança que os indicadores financeiros, isoladamente, não revelam.
Bruce Avolio, professor da universidade e coautor da pesquisa, também analisou Ted Lasso em uma entrevista à escola de negócios Foster. Ele destaca a disposição do personagem para reconhecer limitações e permitir que pessoas com mais conhecimento contribuam.
Avolio propõe ainda um critério que vai além da popularidade do chefe: uma liderança deve ajudar as pessoas a desenvolver autonomia, inclusive para continuar bem depois que o líder sair. Nessa perspectiva, o teste não termina quando a equipe atende a uma cobrança; passa também pelo que ela aprende para resolver o próximo problema.
Fonte: InfoMoney



