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Café e saúde: menor risco de morte, mas na gravidez a bebida aparece ligada a baixo peso ao nascer

Revisão publicada em 2017 reuniu meta-análises sobre café e saúde e associou a bebida a menor risco de morte. Associação não é causa.

Café e saúde: menor risco de morte, mas na gravidez a bebida aparece ligada a baixo peso ao nascer
Imagem: abin abraham/Flickr (CC0 1.0).

Uma revisão publicada em 2017 no BMJ (Clinical research ed.) reuniu estudos sobre café e saúde e encontrou a maior redução de risco em quem toma de três a quatro xícaras por dia, comparado a quem não toma nenhuma. Nesse grupo, o risco relativo de morte por qualquer causa foi de 0,83. Os autores são Poole, Kennedy, Roderick e Fallowfield. Eles analisaram 201 meta-análises de estudos observacionais, que cobriram 67 desfechos de saúde diferentes, e mais 17 meta-análises de estudos de intervenção, com nove desfechos. Mas a revisão mostra associação, não causa. Para mais pautas de ciência, veja também a editoria de Curiosidades.

Os números de morte, coração e câncer

Desfecho Comparação Estimativa (IC 95%)
Morte por qualquer causa 3 a 4 xícaras por dia versus nenhuma 0,83 (0,79 a 0,88)
Morte cardiovascular 3 a 4 xícaras por dia versus nenhuma 0,81 (0,72 a 0,90)
Doença cardiovascular 3 a 4 xícaras por dia versus nenhuma 0,85 (0,80 a 0,90)
Câncer (incidência) Alto versus baixo consumo 0,82 (0,74 a 0,89)
Baixo peso ao nascer Alto versus baixo ou nenhum OR 1,31 (1,03 a 1,67)

Os valores são risco relativo, exceto o baixo peso ao nascer, que aparece como odds ratio. O IC 95% é a faixa em que o valor verdadeiro provavelmente está. Nas quatro primeiras linhas, a faixa inteira fica abaixo de 1, o que indica menos casos no grupo que mais bebe café.

A revisão também associou o consumo a menor risco de vários tipos específicos de câncer e a condições neurológicas, metabólicas e do fígado. Consumo alto, comparado ao baixo, ficou ligado a 18% menos risco de câncer em geral. Já a associação com fratura apareceu em mulheres, mas não em homens.

O que apareceu na gravidez

Na gestação, o quadro muda. Consumo alto, comparado a baixo ou nenhum, apareceu associado a baixo peso ao nascer (odds ratio 1,31; IC 95% de 1,03 a 1,67). Também apareceu associação com nascimento prematuro no primeiro trimestre (1,22; IC 95% de 1,00 a 1,49) e no segundo trimestre (1,12; IC 95% de 1,02 a 1,22), e com perda da gravidez (1,46; IC 95% de 1,06 a 1,99).

Essa parte é a mais delicada do estudo. Os efeitos prejudiciais observados em geral deixaram de aparecer quando a análise ajustou para o tabagismo. Na gravidez, isso não aconteceu.

Como aplicar o que o estudo mostra, sem exagero

O estudo não cria regra para ninguém. Ele serve para entender o que os dados mostram e para levar perguntas mais precisas à consulta:

  1. Leia o resultado como associação. O café apareceu junto de menos mortes e de menos doenças do coração, mas a revisão não prova que a bebida causa esse efeito.
  2. Não comece a beber café por causa deste estudo. Os próprios autores escrevem que são necessários ensaios clínicos randomizados robustos para entender se a relação é causal.
  3. Se estiver grávida ou planejando engravidar, converse com seu médico ou obstetra antes de qualquer mudança na bebida.
  4. Se já toma café, anote como ele se encaixa na sua rotina e não aumente a quantidade por conta própria.
  5. Leve o resumo para a consulta, com os autores e o ano, e pergunte o que vale para o seu caso.

Riscos e limites do estudo

A revisão junta estudos observacionais, em que as pessoas escolhem o que bebem. Nesse tipo de estudo, outros hábitos e condições de vida podem influenciar o resultado. Os autores incluíram meta-análises com adultos de todos os países e contextos, e deixaram de fora estudos sobre variações genéticas do metabolismo do café.

Os autores concluem que o café parece, em geral, seguro dentro dos níveis usuais de consumo, e que é mais provável que ele faça bem à saúde do que mal. Ainda assim, eles escrevem que ensaios clínicos randomizados robustos são necessários para dizer se as associações são causais. Outras pesquisas sobre hábitos e saúde ficam na editoria de Curiosidades.

Antes de mudar qualquer hábito de saúde por causa do café, converse com um profissional de saúde. Quem quiser ler o artigo original encontra o resumo completo e a lista de autores pelo PMID 29167102, no PubMed.

Fonte: BMJ (Clinical research ed.) (2017), PubMed PMID 29167102, consultado em 23/10/2026.

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