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Narjara expõe fase vendendo coco ao celebrar 55 anos de TV

Narjara Turetta relembrou os anos em que vendeu água de coco para pagar as contas depois de ver as oportunidades nas novelas diminuírem. Na entrevista...

Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

Narjara expõe fase vendendo coco ao celebrar 55 anos de TV
Reprodução / globo. Fonte original

Narjara expõe fase vendendo coco ao celebrar 55 anos de TV Reprodução / globo

Narjara Turetta relembrou os anos em que vendeu água de coco para pagar as contas depois de ver as oportunidades nas novelas diminuírem. Na entrevista ao The Noite divulgada pelo SBT em 13 de outubro, a atriz celebrou 55 anos de carreira e rejeitou a ideia de que trabalhar nas ruas fosse motivo de vergonha.

O material publicado pela emissora apresenta a conversa com Danilo Gentili como um balanço de trabalho, dificuldades e recomeços. “Tenho muito orgulho desse tempo. Só me engrandeceu”, afirmou Narjara, que voltou ao assunto enquanto divulgava a autobiografia A Reinvenção – Altos e baixos da minha vida.

Como uma atriz conhecida foi parar vendendo água de coco?

A resposta passa pela diferença entre ter o rosto reconhecido e receber propostas de trabalho. O nome de Narjara continuava associado a personagens da televisão, mas essa lembrança não assegurava uma sequência de contratos nem pagava suas despesas fora do ar.

Em uma entrevista ao gshow publicada em outubro de 2017, ela dimensionou o período como vendedora: foram dez anos, com a última experiência em 2010. Naquela ocasião, contou que ainda guardava o equipamento usado na atividade e descreveu a passagem como difícil, embora importante para seu amadurecimento.

A declaração antiga ajuda a localizar a história retomada agora. Não se trata de uma fotografia recente que revelaria uma nova emergência financeira. É um capítulo anterior da trajetória que a própria atriz escolheu abordar novamente.

Também muda o sentido da palavra sobrevivência. No depoimento, vender uma bebida não aparece como abandono de dignidade, mas como uma maneira de preservá-la. O contraste está entre a expectativa de estabilidade criada pela fama e a necessidade concreta de encontrar renda quando o telefone deixa de tocar.

O que aconteceu quando a história ganhou repercussão?

Uma retrospectiva do gshow publicada em março de 2023 registra que a notícia da venda de água de coco em Copacabana chamou atenção em 2010. O texto relaciona a atividade à diminuição dos convites para atuar e informa que o trabalho ajudou a manter as contas durante quase uma década.

A mesma publicação aponta o convite de Walcyr Carrasco para Morde & Assopra como uma etapa da volta às novelas. Assim, a narrativa não termina na imagem da artista trabalhando na rua: inclui também a retomada de uma função para a qual já tinha experiência.

É importante não transformar essa sequência em uma receita de sucesso. A história de uma atriz não demonstra que toda exposição de dificuldade resulte em emprego. O que ela oferece é um caso documentado de reaproximação entre uma profissional e o mercado em que construiu sua carreira.

Para quem reconhecia Narjara apenas pelas reprises, a notícia podia parecer uma queda repentina. Para ela, a falta de continuidade já fazia parte da vida fora da tela. A distância entre essas percepções explica por que o episódio continuou acompanhando suas entrevistas.

Por que Malu Mulher marcou tanto sua imagem?

No seriado Malu Mulher, Narjara interpretou Elisa, filha da protagonista vivida por Regina Duarte. O arquivo do Memória Globo descreve uma história centrada na reconstrução da vida de Malu depois do casamento com Pedro Henrique, personagem de Dennis Carvalho.

A personagem principal precisava sustentar a casa e a filha, enfrentava dificuldades para conseguir emprego e revia valores que haviam organizado sua vida conjugal. Elisa fazia parte desse universo doméstico em transformação, não apenas de uma sequência de aparições decorativas.

O acervo preserva, por exemplo, uma cena da estreia em que a menina ouve uma discussão dos pais. Há também registros de encontros familiares, como o episódio Crônica de um Natal. Essas situações ajudam a entender a associação de Narjara com uma relação de mãe e filha que o público acompanhava de perto.

Na leitura dessa trajetória, existe um contraste forte: uma intérprete lembrada por um programa que discutia autonomia e sustento precisaria, depois, buscar alternativas de renda na própria vida. A semelhança permite uma reflexão, mas não transforma a experiência da atriz em continuação da ficção.

Quais novelas mostram que ela foi além de Elisa?

Em Baila Comigo, de 1981, Narjara viveu Flora, irmã de Fauna, interpretada por Fernanda Torres. As duas integravam a família de Rosa e Álvaro, personagens de Suely Franco e Jonas Mello, conforme a descrição oficial do elenco.

O núcleo reunia conflitos de comportamento e expectativas familiares. Álvaro sonhava em abrir um restaurante e tinha convicções sobre natureza e alimentação, enquanto Rosa confrontava seu conservadorismo. Situar Flora nesse conjunto é mais informativo do que apenas acrescentar outro título a uma lista de trabalhos.

Já em O Salvador da Pátria, de 1989, Narjara apareceu como Rafaela, filha de Severo Blanco e Gilda, vividos por Francisco Cuoco e Susana Vieira. A personagem mantinha uma relação de contestação com a mãe e uma forte ligação com o pai.

O arquivo apresenta uma família organizada em torno da autoridade e da imagem pública de Severo. Rafaela estava, portanto, em um ambiente dramático diferente daquele de Elisa. Os papéis mostram mudanças de registro e de interlocutores ao longo da carreira, em vez da repetição de uma única filha de protagonista.

A volta à televisão apagou os trabalhos fora dela?

Não. A própria atriz descreveu outras atividades como parte de sua experiência profissional. Na entrevista de 2017, contou que havia trabalhado com informações turísticas durante a Olimpíada do Rio e que investia na dublagem, área em que disse atuar desde 2006.

Ela também falou de um canal de vídeos voltado a histórias e assuntos que lhe interessavam. Naquele momento, preparava-se para interpretar Zildete em O Outro Lado do Paraíso, personagem ligada ao núcleo do bordel na segunda fase da novela.

A combinação revela uma carreira que não cabe apenas no calendário das novelas. Trabalhar com voz, receber visitantes ou experimentar uma plataforma de vídeo são atividades diferentes; uma não precisa ser escondida para que a outra seja reconhecida.

O retorno também não começou nesta entrevista ao The Noite. Em fevereiro de 2013, o Video Show já mostrava Narjara no quadro Crescendo na TV, conversando com Dani Monteiro sobre personagens, o primeiro beijo técnico e a experiência de estar em Salve Jorge.

Naquela participação, o prazer de representar outra realidade dividia espaço com a lembrança do trabalho nas ruas. Esse histórico impede apresentar cada nova aparição como se fosse a primeira vez em que a artista voltava a atuar depois da fase difícil.

O livro está sendo lançado agora?

A autobiografia voltou à divulgação, mas seu lançamento já havia sido noticiado em 10 de dezembro de 2024. O gshow acompanhou o encontro no Rio de Janeiro e registrou a presença de Glória Pires, amiga da atriz, além de outros convidados.

Essa data faz diferença. Uma entrevista nova sobre um livro não transforma automaticamente a obra em lançamento inédito de outubro de 2026. O acontecimento atual é Narjara revisitar a trajetória no programa, com a publicação como ponto de partida.

A cobertura de 2024 também recuperou o início ainda criança em A Grande Gincana, na Record, e a participação em Papai Coração, na TV Tupi, antes da consolidação em Malu Mulher. O percurso passa por emissoras e formatos diferentes, ampliando o sentido da comemoração dos anos de profissão.

Na conversa atual, Narjara mencionou a intenção de adaptar a autobiografia para um monólogo teatral, sem anunciar data de estreia.

Quem perde quando uma carreira vira apenas uma foto de dificuldade?

A atriz perde contexto quando décadas de interpretação são substituídas por uma única imagem. O público também perde a chance de conhecer os trabalhos, as decisões e os intervalos que existem entre um personagem famoso e outro.

Há uma diferença entre abordar dificuldades e usar essas dificuldades para desqualificar uma pessoa. A primeira escolha ajuda a compreender o trabalho artístico. A segunda transforma uma ocupação comum em suposta prova de fracasso, contrariando a maneira como Narjara descreveu sua experiência.

O depoimento é relevante justamente porque desloca essa avaliação. Ela não precisou negar a fase nem apresentá-la como algo que deveria ser apagado. Preferiu incorporá-la à história que conta sobre si.

Isso também permite olhar com mais cuidado para a ideia de desaparecimento. Ficar fora de uma novela não significa deixar de trabalhar, de aprender ou de buscar oportunidades. A tela mostra somente parte de uma vida profissional.

O que Narjara está fazendo e qual é o próximo passo?

A divulgação do SBT informa que a atriz está na comédia As Loucas de Copacabana. O serviço anunciado prevê apresentações nas quintas-feiras de outubro, às 20h, no Teatro Vannucci, no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro.

É uma atividade concreta que acompanha a conversa sobre o passado. Já a adaptação autobiográfica para um monólogo permanece como intenção, sem calendário confirmado no material utilizado.

O próximo passo interessa não apenas pela lembrança de trabalhos antigos, mas pela possibilidade de acompanhar como uma experiência pessoal pode ganhar outra forma artística.

Fontes

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