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Cid Moreira: 26 anos no Jornal Nacional e o boa noite para Drummond

Cid Moreira ocupou a bancada do JN por 26 anos, desde a estreia em 1969. Veja como chegou lá e o boa noite diferente que deu no dia seguinte à morte de Drummond.

Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

Retrato antigo em preto e branco de Cid Moreira, de rosto jovem e cabelo penteado para o lado, olhando de frente
Foto: Fundo Correio da Manhã / Arquivo Nacional, via Wikimedia Commons (domínio público, sem data). Arquivo original, Domínio público

Cid Moreira ficou 26 anos na bancada do Jornal Nacional, desde a estreia, em 1º de setembro de 1969. No dia seguinte à morte de Drummond, em 1987, ele fechou o JN sussurrando "E agora, José?".

Quem cresceu vendo o telejornal da Globo ouviu aquele "boa noite" todo dia. Segundo o Memória Globo, foram cerca de oito mil ao longo dos 26 anos, e o primeiro foi dado por um locutor que ainda não fazia ideia da dimensão do que estava começando.

De Taubaté ao rádio, do rádio à TV

Cid Moreira nasceu em Taubaté (SP), em 27 de setembro de 1927. Formou-se em contabilidade em 1944 e, no mesmo ano, um amigo, cujo pai dirigia a Rádio Difusora Taubaté, o convenceu a fazer um teste de locução depois de ouvir as imitações que ele fazia ao microfone nas festas da cidade. Foi contratado e narrou comerciais até 1949.

Daí em diante o caminho foi o das grandes emissoras: São Paulo em 1949 (Rádio Bandeirantes), Rio de Janeiro em 1951 (Rádio Mayrink Veiga, até 1956). A televisão veio no meio do caminho, com comerciais ao vivo na TV Rio. "Ninguém levava a TV a sério", lembrou ele ao Memória Globo.

O ensaio de 1963: o Jornal de Vanguarda

A estreia como locutor de noticiário foi em 1963, na TV Rio, na equipe do Jornal de Vanguarda, dirigido por Fernando Barbosa Lima, com Sérgio Porto, Borjalo e Luís Jatobá. Cid acompanhou o programa por toda a trajetória, que passou por Tupi, Globo, Excelsior e Continental.

É o tipo de bastidor que explica por que a Globo o chamou: em 1969 ele já tinha mais de duas décadas de microfone.

Como ele chegou à bancada do JN

Cid voltou à Globo em 1969 para substituir Luís Jatobá no Jornal da Globo, um noticiário de 15 minutos exibido às 19h45. Pouco depois integrou a primeira equipe do Jornal Nacional, que o História Grupo Globo data de 1º de setembro de 1969, o primeiro telejornal brasileiro transmitido em rede, via Embratel.

Na estreia, dividiu a bancada com Hilton Gomes. Dois anos depois começou a parceria com Sérgio Chapelin, que durou mais de uma década.

Cid contou que no primeiro dia não percebeu a dimensão da coisa. Chegava só na hora de apresentar, não passava pela redação, e achou normal ver todo mundo nervoso. Só no dia seguinte, ao ver a capa de O Globo, "comecei a perceber a dimensão".

O "boa noite" diferente: Drummond

Carlos Drummond de Andrade morreu na noite de 17 de agosto de 1987, uma segunda-feira, no Rio de Janeiro, segundo o Memória Globo. A Globo levou ao ar homenagens em que apresentadores e atores leram trechos dos poemas dele.

No Jornal Nacional de 18 de agosto de 1987, coube a Cid. O relato é dele, ao Memória Globo:

"Quando o Drummond morreu, fizemos um 'boa noite' diferente. No final do jornal, sussurrei: 'E agora, José?' Ninguém esperava isso. Fizeram uma fila para me cumprimentar, e até hoje me sinto honrado."

O verso é do poema "José", de Drummond. Em vez da despedida de sempre, a voz mais conhecida do telejornalismo da época fechou o dia com a pergunta do poeta.

1996: o fim da bancada

Em 1996, uma reformulação do JN trocou os antigos apresentadores por jornalistas envolvidos na edição. Entraram William Bonner e Lillian Witte Fibe. Cid saiu da bancada depois de 26 anos e, no próprio JN, passou a ler os editoriais.

Na mesma época, a voz dele migrou para o Fantástico, programa de que participava desde a estreia. Segundo o Memória Globo, ele trabalhou nos dois ao mesmo tempo por mais de dez anos. Em 1999 narrou o quadro do ilusionista Mr. M, e a associação com a voz foi tanta que, quando o mágico veio ao Brasil no ano seguinte, foi o próprio Cid quem o entrevistou.

A voz fora da Globo

Cid continuou narrando comerciais, sempre em off, por restrições contratuais. A partir de meados dos anos 1990 se dedicou a gravar salmos bíblicos e, em 2011, concluiu o objetivo de gravar a Bíblia inteira. Os CDs, diz o Memória Globo, venderam milhões de cópias.

Em março de 2010 saiu a biografia Boa Noite: Cid Moreira, a Grande Voz da Comunicação do Brasil (Prumo), escrita pela mulher dele, Fatima Sampaio Moreira. Ele voltou à bancada do JN, ao lado de Chapelin, num bloco especial pelos 50 anos da Globo, em 2015.

Linha do tempo

Ano O que aconteceu
1927 Nasce em Taubaté (SP), em 27 de setembro
1944 Teste de locução na Rádio Difusora Taubaté
1963 Estreia como locutor de noticiário, no Jornal de Vanguarda
1969 Entra na primeira equipe do JN (1º de setembro)
1987 "E agora, José?" no JN, um dia após a morte de Drummond
1996 Reformulação do JN: sai da bancada
2011 Termina a gravação da Bíblia
2024 Morre aos 97 anos, no Rio de Janeiro, em 3 de outubro

Para entender o lugar do JN na grade, veja o que é o horário nobre e como a audiência da TV no Brasil é medida. Sobre a casa onde ele trabalhou, tem a história da telenovela brasileira e o mapa das emissoras de TV aberta.

Cid Moreira morreu em 3 de outubro de 2024, aos 97 anos. O perfil completo está no Memória Globo.

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