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Escrava Isaura estreou há 50 anos e 1976 mudou as novelas da Globo

Escrava Isaura estreou em 11/10/1976, com Lucélia Santos aos 19 anos. Veja o que o ano de O Casarão, Saramandaia e Anjo Mau mudou na novela brasileira.

Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

A atriz Lucélia Santos, de blazer azul-escuro, agachada num jardim com o queixo apoiado nas mãos, em foto de 2006
Foto: Sérgio Savarese / Wikimedia Commons (CC BY 2.0). Arquivo original, CC BY 2.0

Escrava Isaura estreou em 11 de outubro de 1976, às 18h, na TV Globo, com Lucélia Santos, então com 19 anos, no papel principal. Meio século depois, ela segue como a novela que levou o Brasil a mais de 120 países.

Foi só uma das estreias daquele ano. Segundo O Globo, 1976 juntou numa só temporada tramas que puxavam o gênero para lados opostos, e o conjunto andou para a frente.

O que foi Escrava Isaura em 1976?

A Memória Globo resume a trama como a história da luta abolicionista no Brasil, tendo como fio condutor a paixão doentia de um senhor por sua escrava branca. O texto de Gilberto Braga adaptou o romance de Bernardo Guimarães.

O Globo conta que Gilberto Braga escrevia crítica teatral no próprio jornal antes de virar novelista. Era o tipo de profissional que a Globo buscava na época: gente do teatro.

Quem era Lucélia Santos aos 19 anos?

Uma atriz "ainda desconhecida do público telespectador", como o jornal descreveu em 1976. Paulista de Santo André, ela virou rosto familiar no Brasil naquele 11 de outubro e, pouco depois, em países como China, Rússia e Ucrânia.

Lucélia Santos foi a primeira brasileira a ganhar amplo alcance no exterior por meio de uma novela, segundo O Globo. Rubens de Falco fez o Leôncio, o vilão que persegue Isaura.

Como uma novela de escravizada chegou à China?

Segundo Lucélia, fitas com os capítulos circularam de província em província. Onde havia poucos televisores, famílias se reuniam para acompanhar a história.

A atriz diz ter recebido cerca de 300 milhões de votos numa premiação popular chinesa. É um número contado por ela ao jornal, não uma contagem oficial.

"Em qualquer cultura, em qualquer ponto do planeta, existe alguém oprimindo e alguém sendo oprimido."

Foi assim que Lucélia explicou ao O Globo por que a história ficou "imbatível". Para um panorama do que veio depois, veja as novelas brasileiras que fizeram sucesso no exterior.

Que outras novelas estrearam em 1976?

Novela Autor O que trazia de novo
O Casarão Lauro César Muniz Três épocas ao mesmo tempo
Saramandaia Dias Gomes Realismo fantástico no Brasil
Anjo Mau Cassiano Gabus Mendes Protagonista de moral torta, difícil de chamar de mocinha ou vilã
Estúpido Cupido Mário Prata Ingenuidade da juventude dos anos 1960

Fonte: O Globo, 11/10/2026.

Por que O Casarão foi reprisado no mesmo dia?

Porque deu confusão. No dia da estreia, a Globo reprisou o primeiro capítulo às 23h, depois de uma enxurrada de telefonemas de quem achou a trama complexa demais. A novela se passava em três épocas ao mesmo tempo.

O que a censura tinha a ver com isso?

Muita coisa. Segundo O Globo, a censura militar empurrou grandes talentos do teatro para a televisão, e todo autor conheceu de perto os caprichos da vigilância.

Lauro César Muniz sofreu vários cortes em O Casarão. A personagem Lina, vivida por Renata Sorrah, traía o marido e usava anticoncepcional, o que os militares consideraram inapropriado. A censura mandou que ela pedisse a separação na ficção. Ironicamente, diz o jornal, a exigência deu combustível a uma pressão popular pela legalização do divórcio.

Mário Prata contou que viajou 17 vezes a Brasília para dar explicações sobre Estúpido Cupido. Numa das idas, depois de um longo chá de cadeira, ouviu: "Coloque mais açúcar nessa limonada."

Quem planejou aquele ano?

Boni, então diretor-geral da Globo, resume que a pluralidade de estilos foi um projeto elaborado em 1974, iniciado em 1975 e que explodiu em 1976. A ideia era aproveitar o repertório de autores que ganhavam a vida nos teatros.

Ele ainda arrisca outra leitura: talvez a revolta com a proibição de Roque Santeiro tenha estimulado, de forma inconsciente, um empenho coletivo para provar que a TV brasileira estava viva. É a memória de Boni, não um fato documentado. Quem quer entender essa história pode ler a história de Roque Santeiro, a novela censurada.

O público acreditava que o vilão era real

Susana Vieira, a Nice de Anjo Mau, contou ao jornal que uma vizinha a agrediu com golpes de jornal, acusando-a de dar em cima do marido dela. "Minha vizinha achou que estava ali o anjo mau, sabe?", disse a atriz.

Era um tempo sem internet nem streaming, em que as figuras da ficção pareciam escapar da televisão. Hoje a gente xinga o vilão no grupo da família. Naquela época, às vezes o xingamento chegava à porta de casa.

O que voltou depois como remake?

A safra de 1975 e 1976 rendeu o maior número de sementes para remakes. Segundo O Globo, Anjo Mau, Saramandaia, Escrava Isaura, Gabriela e A Viagem ganharam versões novas, assim como O Rebu, que tinha terminado em 1975.

Escrava Isaura também voltou na Record, com direção de Herval Rossano, e Rubens de Falco reapareceu como pai do vilão. A lista das novelas refeitas pela Globo está em remakes de novelas da Globo.

Como rever essas novelas hoje?

O guia onde assistir a novelas antigas mostra os caminhos disponíveis. Para entender o gênero desde o início, a história da telenovela no Brasil começa em 1951.

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