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Saúde

Brinquedo que responde com carinho e guarda o que a criança gosta acende alerta de pediatras

Pediatras alertam para brinquedos com IA que têm câmera, microfone e coleta de dados. Veja as perguntas que a SBP recomenda antes de comprar.

Edição: Bruno Teles
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Brinquedo que responde com carinho e guarda o que a criança gosta acende alerta de pediatras
Imagem: Reprodução/bmcc.nsw.gov.au.

A Sociedade Brasileira de Pediatria, a SBP, divulgou um alerta para pais que pensam em comprar brinquedos com inteligência artificial. Os produtos conversam com a criança, guardam o que ela gosta e respondem com palavras de carinho. Para a entidade, o uso exige atenção de famílias e responsáveis.

O alerta foi divulgado em 21 de outubro. O objetivo, segundo a SBP, é reduzir o risco de exposição indevida das crianças.

O que pode haver dentro do brinquedo

Um brinquedo conectado pode ter microfone, câmera e acesso total à internet. Ele também pode fazer coleta de dados e oferecer mecanismos de personalização e de engajamento. A IA usa linguagem afetiva e empática, mas não é uma pessoa.

Os sistemas de IA generativa reconhecem voz e imagem, lembram informações, adaptam respostas e mantêm conversas que não são totalmente pré-programadas. Por isso, a entidade considera o tema urgente.

Cena de reportagem: вот как правильно выбирать игрушки для детей. Советы Роспотребнадзора РБК Life, no trecho “O risco para a formação das crianças” Reprodução/s0.rbk.ru. Fonte

O risco para a formação das crianças

Uma revisão publicada na revista Pediatrics aponta o risco de crianças passarem a ver a IA como amiga ou cuidadora, a partir do contato com esse tipo de brinquedo. O Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, também alertou para os chamados companheiros de IA, produtos que estimulam conversas em relacionamentos de crianças e adolescentes.

A SBP cita ainda o caso do Muse Charm, dispositivo portátil da Meta comparado a um Tamagotchi com IA. Ele não é brinquedo, mas mostra como agentes de IA passam a ocupar formas físicas e personalizadas.

O que a família deve checar

Antes de comprar, vale perguntar onde ficam os dados coletados, se a câmera e o microfone podem ser desligados e como o fabricante lida com as informações da criança. A dúvida sobre compartilhamento de dados também aparece em outros setores. No sistema financeiro, as mudanças no Open Finance deixam claro quando o consentimento é necessário. Em outro caso, as farmácias passaram a compartilhar dados com a polícia para identificar padrões, o que mostra como informação pessoal pode mudar de mãos.

A recomendação geral é desconfiar de qualquer produto que peça acesso amplo, sem explicar o que faz com os dados. Quem já comprou um brinquedo assim pode checar as configurações de privacidade e, se for o caso, devolver o produto.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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