Telejornal que uniu o país pela micro-onda estreou com notícia de junta militar
Veja por que o Jornal Nacional foi o primeiro telejornal em rede do Brasil, o papel da Embratel e as notícias da primeira edição, com Cid Moreira.

O Jornal Nacional foi o primeiro telejornal do país transmitido em rede nacional, ao vivo, do estúdio da Globo na rua Von Martius, no Rio de Janeiro. As reportagens eram captadas e exibidas em película, e o que tornou a rede possível foi a micro-ondas da Embratel.
Por que o JN foi o primeiro telejornal em rede
A estreia foi parte de um projeto de Walter Clark, então diretor-geral da Globo, e de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que queriam transformar a emissora na primeira televisão em rede do Brasil. O JN nasceu para competir com o Repórter Esso, da TV Tupi.
| Assunto | Jornal Nacional nasceu para unir o Brasil pela televisão e uma estreia mudou o noticiário |
|---|---|
| Data | 26/10/2026 |
| Número citado 1 | 54 mil: Segundo a capa de O Globo de 2 de setembro, 54 milhões de pessoas assi |
| Número citado 2 | 26 anos: anos merece uma leitura à parte, como Cid Moreira e seus 26 anos no JN. |
| Fonte | memoriaglobo.globo.com |
Boni explicou a escolha: para ele, a notícia era o fator mais importante de unificação de um país, mais que entretenimento, comercial ou novela. Por isso um telejornal foi o primeiro programa a entrar em rede de verdade, ao mesmo tempo em vários estados.
A tecnologia que ligou o país
Meses antes da estreia, a Embratel havia inaugurado o Tronco Sul, que integrava Rio, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. A ligação usava um sistema de micro-ondas que levava o sinal do estúdio à torre de transmissão. Com isso, a Globo queria gerar uma programação uniforme em vários estados e reduzir custos.
O engenheiro Herbert Fiuza, um dos pioneiros da emissora, resumiu: o início do Jornal Nacional, de fato nacional, vem logo depois da possibilidade de interligar o país pela rede de micro-ondas. Também apoiaram a implantação o coronel Wilson Brito, diretor de Tecnologia, e o engenheiro Adilson Pontes Malta.
O que foi ao ar na primeira edição
Hilton Gomes abriu a edição com a frase de que o JN era "um serviço de notícias integrando o Brasil novo", às 19h45. Em seguida, Cid Moreira anunciou a grande escalada nacional de notícias.
O principal assunto era uma reviravolta política: o país seria entregue a uma junta militar por causa de um problema de saúde do presidente Costa e Silva, anúncio feito pelo ministro Delfim Neto. Também entraram a obra de alargamento da Praia de Copacabana, o início das comemorações do 7 de setembro e o gol de Pelé que garantiu a vaga do Brasil na Copa de 1970.
Entre as notícias internacionais estavam a ameaça de greve de pilotos pelo sequestro de um avião americano rumo a Israel, o golpe militar na Líbia e as mortes do comentarista Drew Pearson e do campeão Rocky Marciano. A previsão do tempo, lida por Hilton, durou 16 segundos.
"E o Boeing decolou"
Armando Nogueira, diretor de Jornalismo da Globo, idealizou o telejornal e disse ao Memória Globo que sentia estar decolando com um Boeing, símbolo máximo da época. O script da primeira edição trazia a observação "E o Boeing decolou".
Segundo a capa de O Globo de 2 de setembro, 54 milhões de pessoas assistiram à transmissão de imagens diretas do Rio, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Quem apresentou o telejornal nos primeiros anos merece uma leitura à parte, como Cid Moreira e seus 26 anos no JN.
Para ver mais da história da Globo
A mesma emissora criou o Fantástico em 1973 e o Vídeo Show, que também marcaram a história da TV. O acervo completo do JN está no Memória Globo.
Fonte: memoriaglobo.globo.com


