Jornal Nacional nasceu em preto e branco, mas apresentador já usou paletó cor de abóbora
Veja como mudaram os cenários e as aberturas do Jornal Nacional, do preto e branco à era Hans Donner e à primeira vinheta em computação gráfica.

O Jornal Nacional começou numa televisão ainda em preto e branco, com Hilton Gomes e Cid Moreira sentados atrás de uma bancada e uma tapadeira cheia de cópias da logomarca ao fundo. Dali para cá, o cenário, a vinheta e até a roupa dos apresentadores mudaram junto com a tecnologia de produção.
O cenário e a abertura dos primeiros anos
A logomarca do telejornal combinava o JN com o globo terrestre, então símbolo da emissora. O slogan era "A notícia unindo setenta milhões de brasileiros", e a abertura mostrava imagens de fatos e personalidades importantes.
O tema musical foi "The Fuzz", composto pelo norte-americano Frank De Vol para o filme "The Happening", de 1967. A peça sofreu alterações ao longo dos anos, mas nunca foi trocada. Ainda nos primeiros anos, o cenário passou a ter um fundo mais neutro, com uma logomarca atrás de cada apresentador.
Em 1972, o slogan virou "Três anos de liderança integrando o Brasil através da notícia". A vinheta foi produzida em cores, mas o público a via em preto e branco. Passou a exibir os créditos sobre a logomarca da emissora e abandonou as cenas documentais. Em 1975, o azul, o amarelo e o laranja coloriram a abertura.
Reprodução/tupi.fm. Fonte
Quando a cor mudou o guarda-roupa
A chegada da cor obrigou a adaptar cenário e figurino ao chroma-key. Técnicos e iluminadores mudaram o tom de azul do chroma, e os apresentadores deixaram de usar camisas brancas e ternos de cores que se misturassem ao azul.
No começo, empolgados, eles ousaram. Cid Moreira lembra que chegou a usar paletós verdes, cor de abóbora e quadriculados. Em 1975, a direção de jornalismo designou um profissional para escolher as roupas de locutores e repórteres. Em 1976, a nova abertura projetou o nome e a logomarca de diversas formas na tela.
A era Hans Donner
Em 1979, o designer Hans Donner venceu um concurso interno promovido por Boni e criou o novo cenário, que estreou em abril. O fundo trazia as letras do selo JN em perspectiva, com mais uma parede e dois monitores de cada lado. Isso abriu espaço para jogo de câmeras e mais movimento dos apresentadores.
No cenário anterior, criado por Mário Monteiro, só havia uma tapadeira atrás da bancada, sem variação de enquadramento. Com o novo estúdio, Cid e Sérgio Chapelin passaram do close para o plano americano, que mostra o apresentador até a cintura. No ano seguinte, a abertura passou a começar com feixes de luz montando a logo.
Em 30 de março de 1981 veio outro estúdio assinado por Donner, com bancada nova e um mapa-múndi em relevo ao fundo. Foi quando surgiram os selos over the shoulder, ilustrações exibidas acima do ombro do apresentador, formato importado dos americanos. A logo também perdeu a marca da Globo integrada às letras.
Reprodução/artworks.thetvdb.com. Fonte
Selos feitos à mão e a primeira abertura em computação gráfica
Os selos eram responsabilidade da Arte do Jornalismo, comandada por Paulo Polé. O trabalho era diário e manual, com letras transferíveis, recorte eletrônico, pincel, bico de pena e colagem. Nos anos 1990, a coleção de cerca de 65 ilustrações ocupou todo o fundo do cenário.
Um novo cenário estreou em 3 de janeiro de 1983, com cinza predominante e toques de vermelho e azul, e a bancada parecia dentro de um globo. Os selos eram inseridos por chroma-key com o Quantel, equipamento que reduzia a imagem. A abertura de 1983 foi a primeira do Jornal Nacional feita com computação gráfica.
Para ler mais sobre o JN e a Globo
A trajetória dos apresentadores está em Cid Moreira e os 26 anos no Jornal Nacional. Sobre outro programa que mexeu com o jornalismo e a TV, veja o Vídeo Show e os bastidores. O acervo completo está no Memória Globo.
Fonte: memoriaglobo.globo.com


