Alckmin diz que Flávio Bolsonaro 'não quer abrir sigilo nenhum'; entenda o impasse
Alckmin diz que Flávio Bolsonaro apresentou exigências para não abrir sigilo. Entenda o impasse com Lula no TSE e o que cada lado propôs.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta quinta-feira (22), em São Carlos (SP), que o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou exigências para não abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico. Segundo o g1, a declaração foi dada durante visita à Santa Casa de São Carlos.
Ao comentar a postura do candidato, Alckmin disse: “O presidente Lula colocou bem, falou: ‘Olha, vamos romper com os sigilos bancário, fiscal, telefônico’. Aí ele [Flávio Bolsonaro] apresentou 19 exigências, apresenta 20 exigências, é que não quer abrir sigilo nenhum”.
Como o impasse sobre os sigilos começou
A discussão começou no debate presidencial da Band, no domingo (18). Lula desafiou Flávio Bolsonaro a divulgar seus dados privados.
Na terça-feira (20), o presidente formalizou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a autorização para divulgar os próprios dados e os de familiares referentes aos últimos oito anos. A condição é que o adversário faça o mesmo.
Flávio respondeu com uma contraproposta. Em manifestação ao TSE, afirmou que aceita abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, além de dados de familiares e de empresas de sua propriedade. Mas ele impôs novas exigências.
As exigências de Flávio Bolsonaro para abrir sigilos
Segundo o g1, a campanha do senador pediu:
- Assessores: termos de autorização para quebra de sigilo de assessores próximos de Lula, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o "Marcola", ex-chefe de gabinete.
- Empresas e familiares: abertura de contas e sigilos de empresas ligadas a familiares do presidente, incluindo sociedades do filho Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", além do Instituto Lula e da L.I.L.S. Palestras desde 2003.
- Caso Master: divulgação integral dos registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes da reunião entre Lula e Daniel Vorcaro em dezembro de 2024.
- INSS: esclarecimentos sobre as relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de suas entradas em palácios presidenciais e voos na Força Aérea Brasileira (FAB), além da quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico, irmão de Lula.
- Cartão corporativo: abertura dos gastos do cartão da Presidência desde janeiro de 2023 e das agendas institucionais da primeira-dama, Janja, desde o primeiro ano de mandato.
Do lado de Lula, a lista de familiares inclui a esposa Janja, os filhos Lurian, Marcos Cláudio, Sandro e Luís Cláudio, e Fábio Luís, o Lulinha, alvo de investigações da Polícia Federal. Por que cada lado coloca condições no próprio sigilo? Porque a divulgação de um depende da do outro, e é aí que o acordo travou.
O que disse a outra parte
A defesa de Flávio chamou a proposta inicial de Lula de "promessa vazia" e "factóide". Segundo os advogados, ela limitava a divulgação aos últimos oito anos e não contemplava possíveis irregularidades envolvendo terceiros.
Na quarta-feira (21), coordenadores da campanha de Lula afirmaram que o petista não se opõe às condições colocadas pelo adversário. A campanha previa protocolar no TSE, nesta quinta-feira (22), a resposta a Flávio.
Em São Carlos, Alckmin também criticou o senador. Ele disse que Flávio não respondeu aos pontos levantados no debate da Band e afirmou: “lamentavelmente a gente viu que no caso do Bolsonaro foi um candidato desrespeitoso, não respondeu nada”.
Até a publicação da reportagem, a divulgação dos sigilos dependia de os dois lados aceitarem as condições um do outro. O impasse, na prática, é quem abre primeiro e o que entra na conta.
Assista ao vídeo
A reportagem completa está no link do g1 no início deste texto.
Fonte: g1 Política



