Torre de Babel matou Leila após rumor de romance com Marta
Leila morreu na explosão de Torre de Babel depois que uma história que Silvio de Abreu dizia não ter escrito ganhou repercussão fora da novela. O autor...
Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

Reprodução / globo
Leila morreu na explosão de Torre de Babel depois que uma história que Silvio de Abreu dizia não ter escrito ganhou repercussão fora da novela. O autor relatou que a divulgação de um suposto romance com Marta levou à retirada da personagem de Silvia Pfeifer, alterando o caminho previsto para ela em 1998.
Segundo o depoimento preservado pelo Memória Globo, a morte de Rafaela, interpretada por Christiane Torloni, já constava da sinopse. Leila sobreviveria à companheira e se tornaria amiga de Marta, personagem de Glória Menezes, em uma trama sobre preconceito que não chegou a ser desenvolvida como o autor pretendia.
Que rumor mudou o destino de Leila?
Silvio afirmou que a imprensa apresentou aquela amizade como um futuro envolvimento amoroso. Na avaliação dele, a reação à informação que considerava incorreta ameaçava a recepção da novela, levando à decisão de incluir Leila entre as vítimas da explosão.
O esclarecimento estabelece uma distinção essencial: o desastre estava planejado, mas nem todos os destinos que ele produziu permaneceram iguais. A explicação sobre o rumor pertence ao autor e não equivale a um levantamento independente de todas as notícias publicadas naquele período.
O que de fato aconteceu dentro do shopping?
Na ficção, José Clementino consegue um emprego de vigia no Tropical Towers com o objetivo de se vingar de César Toledo. O personagem de Tony Ramos responsabiliza o empresário por sua condenação e pretende destruir o empreendimento quando ele estiver vazio.
Os explosivos, porém, são acionados antes do momento planejado, com o edifício cheio. A catástrofe deixa feridos e mata personagens importantes, entre eles Guilherme, o filho dos Toledo interpretado por Marcello Antony, além de Rafaela e Leila.
O mistério não se resolve simplesmente pela existência do plano de Clementino. No último capítulo, Luzineide revela que Sandrinha, de Adriana Esteves, foi quem efetivamente provocou a explosão; a personagem confessa ter agido por ressentimento contra o pai e a família Toledo.
A distinção entre planejar e executar sustentava o suspense da história. Para quem revê a produção, esse trecho contém a revelação do desfecho, e não apenas a descrição dos acontecimentos iniciais.
Por que César Toledo tinha tanto a perder?
A galeria de personagens apresenta César como um empresário bem-sucedido que precisa reconstruir os negócios depois da tragédia. Além do dano material, ele passa a enfrentar suspeitas sobre sua responsabilidade pela morte das pessoas que estavam no shopping.
O colapso econômico acontece enquanto sua vida familiar também se transforma. Casado com Marta e pai de Alexandre, Henrique e Guilherme, ele reencontra Lúcia Prado, uma paixão do passado que abre uma crise no casamento.
Marta, antes dedicada à manutenção da casa e da família, decide mudar de postura quando percebe a fragilidade da relação. Sua aproximação com Bruno integra essa reconstrução pessoal dentro da narrativa.
Henrique, o primogênito, combina a administração dos negócios com uma vida afetiva instável. A diferença entre os filhos e as rupturas do casal impedem tratar os Toledo como uma família rica atingida apenas por um problema externo: o desastre agrava conflitos que já existiam.
Quanto trabalho havia por trás de um shopping que seria destruído?
O Tropical Towers cenográfico ocupava 1.200 metros quadrados e levou 41 dias para ser erguido. Segundo os registros de produção, vinte desses dias foram dedicados às fundações, necessárias para sustentar a estrutura de metal e vidro.
O prédio tinha elevadores panorâmicos, escadas rolantes e três pavimentos. Sua área central chegava a 23 metros de altura, e a iluminação permitia alterar a aparência da fachada durante as gravações.
Para a sequência da explosão, a produção importou mais de US$ 200 mil em equipamentos de efeitos especiais. O cenógrafo Mário Monteiro construiu três maquetes em escalas diferentes, utilizadas para produzir a destruição vista pelo público.
A cena ocupou cerca de seis minutos na exibição. O valor mencionado se refere aos equipamentos importados, não ao orçamento integral da novela; somá-lo a custos que não foram divulgados criaria uma conta que o arquivo não oferece.
A grandiosidade visual, portanto, tinha uma base concreta de cenografia e efeitos. Não se tratava de explodir um centro comercial em funcionamento nem de registrar um acidente real.
Onde estava o humor em uma trama tão pesada?
A lanchonete de Edmundo Falcão, vivido por Victor Fasano, reunia personagens com um ritmo diferente do núcleo principal. Bina Colombo, de Claudia Jimenez, trabalhava como garçonete e sonhava em ficar rica, acompanhada pela amiga Luzineide.
A cozinheira tentava participar das conversas, mas era interrompida pela presença expansiva de Bina. Esse comportamento tinha função cômica ao longo da novela e aumentava o contraste com a importância da fala que Luzineide finalmente teria no desfecho.
Outro núcleo explorava a falsa carreira musical de Gustinho, conhecido como Johnny Percebe. O personagem de Oscar Magrini aparecia como cantor, mas era Boneca, interpretado por Ernani Moraes, quem fornecia a voz.
A farsa terminava depois de uma apresentação no Xou da Xuxa, quando o verdadeiro cantor era levado dos bastidores para o palco. Gustinho encontrava posteriormente outra atividade, o futebol, permitindo que o núcleo tivesse um percurso próprio em vez de existir somente para aliviar as cenas de violência.
Como Tony Ramos chegou a um protagonista tão amargo?
O intérprete de Clementino já havia construído uma carreira associada a registros bastante diferentes. Sua passagem para a Globo ocorreu em 1977, como Paulo Morel em Espelho Mágico; no mesmo ano, apresentou o Globo de Ouro ao lado de Christiane Torloni.
O Astro ampliou sua popularidade com Márcio, filho do empresário Salomão Hayala. Depois, em Baila Comigo, Tony viveu os gêmeos João Victor e Quinzinho, distinguindo-os por voz, postura e respiração, sem depender de mudanças de maquiagem.
A experiência com Silvio de Abreu também antecedia Torre de Babel. O ator havia participado de Rainha da Sucata e A Próxima Vítima, retornando ao trabalho com o autor em histórias posteriores, como Belíssima e Passione.
Esse percurso ajuda a situar o impacto de um personagem violento e marcado pela prisão. Clementino não era uma extensão automática de antigos heróis românticos, mas outra composição dentro de uma trajetória construída em novelas, minisséries, teatro e cinema.
O suspense já fazia parte da escrita de Silvio de Abreu?
O autor havia se destacado com comédias como Guerra dos Sexos, mas não permaneceu limitado a esse registro. Em 1990, escreveu a minissérie Boca do Lixo, aproximando seu trabalho de uma narrativa de atmosfera policial.
Cinco anos depois, A Próxima Vítima organizou a novela em torno de uma série de assassinatos. A identidade do responsável foi preservada até o último capítulo, cuja revelação foi gravada poucas horas antes da exibição para dificultar o vazamento.
Silvio começou na televisão como ator, depois de formação em cenografia e experiências no teatro. Sua primeira novela como autor foi a adaptação de Éramos Seis, feita na Tupi em parceria com Rubens Ewald Filho, antes da entrada na Globo como escritor.
O caminho até Torre de Babel, assim, passava por comédia, cinema e construção de mistério. A mudança de rumo após a repercussão inicial não aconteceu em uma carreira sem experiência com público, mas em uma produção que colocou várias expectativas e temas em choque.
A crise impediu qualquer reconhecimento posterior?
O histórico da novela registra que não. Em 1999, Torre de Babel foi escolhida como melhor novela pelos jurados do Troféu Imprensa, com reconhecimento também a Tony Ramos e Adriana Esteves por suas interpretações.
A própria abertura passou por uma alteração: o tema instrumental e dramático deu lugar a Pra Você, na voz de Gal Costa. A troca acompanhou as mudanças de tom realizadas ao longo da produção.
O universo dos personagens ainda continuou em outra obra. Jamanta reapareceu em Belíssima, em 2005, e Luzineide entrou no último capítulo daquela novela com filhos, interrompendo o casamento que ele estava prestes a realizar.
Esses desdobramentos não anulam a retirada de Leila nem recuperam a história que deixou de ser contada. Mostram que a recepção de uma produção pode conter rejeição, mudanças, reconhecimento e permanência cultural, sem caber inteiramente no rótulo de fracasso ou de sucesso imediato.
Fontes
- memoriaglobo.globo.com: — Silvio de Abreu atribui a morte de Leila à repercussão de um romance que afirma não ter previsto. (conferido em 14 de outubro de 2026)
- memoriaglobo.globo.com: — Cenografia do shopping, escalas das maquetes, equipamentos importados e duração da sequência. (conferido em 14 de outubro de 2026)
- memoriaglobo.globo.com: — Plano de Clementino, vítimas da explosão e revelação do desfecho ficcional.; — Relações familiares e conflitos do (conferido em 14 de outubro de 2026)
- memoriaglobo.globo.com: — Plano de Clementino, vítimas da explosão e revelação do desfecho ficcional.; — Relações familiares e conflitos do (conferido em 14 de outubro de 2026)
- memoriaglobo.globo.com: — Plano de Clementino, vítimas da explosão e revelação do desfecho ficcional.; — Relações familiares e conflitos do (conferido em 14 de outubro de 2026)
- memoriaglobo.globo.com: — Plano de Clementino, vítimas da explosão e revelação do desfecho ficcional.; — Relações familiares e conflitos do (conferido em 14 de outubro de 2026)
- memoriaglobo.globo.com: — Plano de Clementino, vítimas da explosão e revelação do desfecho ficcional.; — Relações familiares e conflitos do (conferido em 14 de outubro de 2026)
- memoriaglobo.globo.com: — Plano de Clementino, vítimas da explosão e revelação do desfecho ficcional.; — Relações familiares e conflitos do (conferido em 14 de outubro de 2026)
- memoriaglobo.globo.com: — Plano de Clementino, vítimas da explosão e revelação do desfecho ficcional.; — Relações familiares e conflitos do (conferido em 14 de outubro de 2026)
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