Eleição: Stiglitz vê riscos ao PIB se Flávio Bolsonaro vencer a votação
Flávio Bolsonaro plano econômico: Joseph Stiglitz, Nobel de Economia, vê riscos ao PIB e ao investimento público. Entenda o que muda.

O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Nobel de Economia de 2001, disse à Folha que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) traria riscos à economia brasileira. Ele vê os riscos no curto e no longo prazo. A fala vem depois de o mercado reagir ao primeiro turno.
Na segunda-feira seguinte à votação, o dólar caiu para R$ 5. A Bolsa atingiu uma alta histórica de 206 mil pontos. Era a reação a uma campanha que sinaliza ajuste fiscal e mais controle das contas públicas.
Stiglitz acha a comemoração prematura. Por que um economista com essa trajetória vê o cenário ao contrário do mercado? A resposta passa pelo plano em si e pelo jeito como o mercado lê esse plano.
Quem é o economista que faz o alerta
Stiglitz é professor da Universidade Columbia, em Nova York. Foi economista-chefe do Banco Mundial entre 1997 e 2000. Antes, entre 1995 e 1997, chefiou a equipe de economistas do governo Bill Clinton.
Antes do primeiro turno, ele assinou com Thomas Piketty, Chico Buarque e Raí um texto no jornal francês Le Monde. O texto diz que o candidato do PL é uma ameaça à democracia. Na entrevista à Folha, Stiglitz deixou a parte política de lado e falou da economia.
O que Stiglitz vê no plano de Flávio Bolsonaro
Para Stiglitz, o programa econômico de Flávio ainda é vago. O candidato fala em cortar gastos e reduzir impostos, sobretudo para os muito ricos, mas não detalhou o que pretende fazer.
Stiglitz afirma que o plano levará à "deterioração do padrão de vida das classes média e baixa". Ele também vê queda na capacidade de investimento público e aumento da desigualdade e da pobreza.
No curto prazo, o PIB cairia. No longo prazo, o corte mais forte seria no investimento, porque os efeitos aparecem depois. Educação, infraestrutura e tecnologia seriam as áreas mais afetadas.
Flávio prometeu não cortar aposentadorias. Para Stiglitz, isso empurra os cortes para outras áreas, como os programas voltados aos pobres e à classe média.
Quadro de serviço: o que está na entrevista
- Proposta: austeridade fiscal, com cortes de gastos e redução de impostos para os muito ricos, segundo Stiglitz.
- Aposentadorias: Flávio prometeu não cortar, de acordo com a entrevista.
- Detalhes: o programa ainda não foi especificado, na avaliação do economista.
- Efeito no PIB: queda no curto prazo, segundo Stiglitz.
- Investimento: corte em educação, infraestrutura e tecnologia, com efeito no longo prazo.
Por que o mercado leu o resultado de outro jeito
Stiglitz critica a visão de curto prazo do mercado. Para os investidores, impostos mais baixos são sinal de ambiente favorável aos negócios. Para ele, porém, uma economia em recessão não é favorável a negócio nenhum.
Ele também critica os juros. O Brasil tem superávit primário, mas, na avaliação dele, o problema está nos juros altos. A taxa, diz, não acompanha a inflação. Os mercados financeiros gostam desses juros altos, e isso não ajuda a economia a crescer.
Stiglitz não colocou um número de crescimento na entrevista. Ele também não disse quanto o PIB cairia. O que ele deixou claro é a direção: menos investimento, mais desigualdade e menos espaço para os programas que atendem a população de menor renda.
Para Stiglitz, o risco vale no curto e no longo prazo. Se o economista estiver certo, o efeito chega primeiro ao bolso de quem ganha menos e depois ao crescimento do país.
Fonte: oficial



