Com 60 anos ou mais, a queda do risco de morrer segue até 6.000 a 8.000 passos por dia, diz estudo
Quem dá mais passos por dia tem menor risco de morte por qualquer causa, aponta meta-análise de 15 coortes com 47 mil adultos publicada no The Lancet Public...

Quem dá mais passos por dia tem risco menor de morrer por qualquer causa. Na meta-análise publicada em 2022 na revista The Lancet Public Health, o grupo que mais andou teve risco de morte de 0,47 em relação ao grupo que menos andou (razão de risco ajustada). Associação não é causa, e o estudo não prova que caminhar sozinho prolonga a vida.
Os números do estudo
| Quartil | Mediana de passos por dia | HR ajustado (IC 95%) |
|---|---|---|
| 1 (menos passos) | 3.553 | referência |
| 2 | 5.801 | 0,60 (0,51 a 0,71) |
| 3 | 7.842 | 0,55 (0,49 a 0,62) |
| 4 (mais passos) | 10.901 | 0,47 (0,39 a 0,57) |
A equipe reuniu 15 estudos de coortes, sendo sete publicados e oito não publicados, com início entre 1999 e 2018. Foram 47.471 adultos com 18 anos ou mais, e 3.013 mortes em um acompanhamento mediano de 7,1 anos. Cada grupo processou os dados individuais seguindo o mesmo protocolo. As mortes vieram de atestados de óbito e registros nacionais. Os autores são Paluch, Bajpai, Bassett e Carnethon, e o modelo estatístico foi a regressão de Cox.
Quanto menor o risco em cada faixa
O resumo do estudo começa por um ponto: os 10.000 passos por dia são muito citados como benéficos, mas há pouca evidência para essa recomendação. Os dados mostram queda progressiva. No segundo quartil, com mediana de 5.801 passos, o HR foi 0,60. No terceiro, com 7.842, foi 0,55. No quarto, com 10.901, caiu para 0,47.
Os quartis foram definidos dentro de cada estudo, e não com um corte único para todos. Os autores resumiram que quanto mais passos por dia, menor o risco de morte, até um nível que varia com a idade. Para ver outros temas de saúde, veja também a editoria de Curiosidades.
A idade também muda o ponto de chegada. As curvas do estudo mostram que o risco cai de forma contínua até um certo número de passos. Para adultos de 60 anos ou mais, essa queda segue até cerca de 6.000 a 8.000 passos por dia. Para quem tem menos de 60 anos, a queda continua até 8.000 a 10.000 passos.
Ou seja, a faixa de 10.000 passos não serve como número único para todos. O próprio estudo trabalha com intervalos, não com um número exato.
O ritmo também entra na conta
O estudo também mediu o ritmo, isto é, quantos passos por minuto a pessoa dá. Ao comparar o quartil mais baixo com o mais alto e ajustar pelo total de passos, o efeito do ritmo ficou menor, mas continuou abaixo de 1. Isso valeu para 30 minutos de pico (HR 0,67; IC 95% 0,56 a 0,83) e para 60 minutos de pico (HR 0,67; IC 0,50 a 0,90).
Já o tempo andando em ritmo de 40 passos por minuto ou mais (HR 1,12; IC 0,96 a 1,32) e em 100 passos por minuto ou mais (HR 0,86; IC 0,58 a 1,28) não mostrou efeito claro. Nesses dois casos, o intervalo de confiança passa do valor 1.
Como aplicar o que o estudo mostra, sem exagero
- Conte seus passos em uma semana normal, com o celular ou um relógio, sem mudar a rotina. Isso dá a média real.
- Compare essa média com as faixas do estudo: 3.553 passos por dia no primeiro quartil e 10.901 no último.
- Se a média estiver bem abaixo dessas faixas, aumente aos poucos, em vez de pular de uma vez para uma meta alta.
- Observe quantos minutos seguidos você passa andando no ritmo mais forte do dia, já que esse dado também apareceu no estudo.
- Leve a média e as mudanças para o médico ou para o profissional de educação física antes de montar uma rotina nova.
Riscos e limites
O estudo reúne coortes, ou seja, pessoas acompanhadas ao longo do tempo. Elas não foram sorteadas para andar mais ou menos, então o resultado mostra associação e não causa. Oito dos 15 estudos não foram publicados, e os cortes de quartis mudaram de um estudo para outro. O acompanhamento teve intervalo entre 4,3 e 9,9 anos.
A faixa de passos por dia não é um limite de saúde. Ela descreve o que aconteceu com esses grupos. Quem tem doença, toma remédio ou tem limitação de movimento precisa de orientação individual. Para outro tema de mortalidade e hábitos, veja Café e saúde: menor risco de morte.
Antes de mudar qualquer hábito de saúde, converse com um profissional de saúde. A conversa pode começar pelo número de passos que você já dá, medido por alguns dias seguidos.
Fonte: The Lancet. Public health (2022), PubMed PMID 35247352, consultado em 23/10/2026.
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