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Com 60 anos ou mais, a queda do risco de morrer segue até 6.000 a 8.000 passos por dia, diz estudo

Quem dá mais passos por dia tem menor risco de morte por qualquer causa, aponta meta-análise de 15 coortes com 47 mil adultos publicada no The Lancet Public...

Maria Heloisa Barbosa Borges
Edição: Bruno Teles
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Com 60 anos ou mais, a queda do risco de morrer segue até 6.000 a 8.000 passos por dia, diz estudo
Foto: Michal Klajban/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Quem dá mais passos por dia tem risco menor de morrer por qualquer causa. Na meta-análise publicada em 2022 na revista The Lancet Public Health, o grupo que mais andou teve risco de morte de 0,47 em relação ao grupo que menos andou (razão de risco ajustada). Associação não é causa, e o estudo não prova que caminhar sozinho prolonga a vida.

Os números do estudo

Quartil Mediana de passos por dia HR ajustado (IC 95%)
1 (menos passos) 3.553 referência
2 5.801 0,60 (0,51 a 0,71)
3 7.842 0,55 (0,49 a 0,62)
4 (mais passos) 10.901 0,47 (0,39 a 0,57)

A equipe reuniu 15 estudos de coortes, sendo sete publicados e oito não publicados, com início entre 1999 e 2018. Foram 47.471 adultos com 18 anos ou mais, e 3.013 mortes em um acompanhamento mediano de 7,1 anos. Cada grupo processou os dados individuais seguindo o mesmo protocolo. As mortes vieram de atestados de óbito e registros nacionais. Os autores são Paluch, Bajpai, Bassett e Carnethon, e o modelo estatístico foi a regressão de Cox.

Quanto menor o risco em cada faixa

O resumo do estudo começa por um ponto: os 10.000 passos por dia são muito citados como benéficos, mas há pouca evidência para essa recomendação. Os dados mostram queda progressiva. No segundo quartil, com mediana de 5.801 passos, o HR foi 0,60. No terceiro, com 7.842, foi 0,55. No quarto, com 10.901, caiu para 0,47.

Os quartis foram definidos dentro de cada estudo, e não com um corte único para todos. Os autores resumiram que quanto mais passos por dia, menor o risco de morte, até um nível que varia com a idade. Para ver outros temas de saúde, veja também a editoria de Curiosidades.

A idade também muda o ponto de chegada. As curvas do estudo mostram que o risco cai de forma contínua até um certo número de passos. Para adultos de 60 anos ou mais, essa queda segue até cerca de 6.000 a 8.000 passos por dia. Para quem tem menos de 60 anos, a queda continua até 8.000 a 10.000 passos.

Ou seja, a faixa de 10.000 passos não serve como número único para todos. O próprio estudo trabalha com intervalos, não com um número exato.

O ritmo também entra na conta

O estudo também mediu o ritmo, isto é, quantos passos por minuto a pessoa dá. Ao comparar o quartil mais baixo com o mais alto e ajustar pelo total de passos, o efeito do ritmo ficou menor, mas continuou abaixo de 1. Isso valeu para 30 minutos de pico (HR 0,67; IC 95% 0,56 a 0,83) e para 60 minutos de pico (HR 0,67; IC 0,50 a 0,90).

Já o tempo andando em ritmo de 40 passos por minuto ou mais (HR 1,12; IC 0,96 a 1,32) e em 100 passos por minuto ou mais (HR 0,86; IC 0,58 a 1,28) não mostrou efeito claro. Nesses dois casos, o intervalo de confiança passa do valor 1.

Como aplicar o que o estudo mostra, sem exagero

  1. Conte seus passos em uma semana normal, com o celular ou um relógio, sem mudar a rotina. Isso dá a média real.
  2. Compare essa média com as faixas do estudo: 3.553 passos por dia no primeiro quartil e 10.901 no último.
  3. Se a média estiver bem abaixo dessas faixas, aumente aos poucos, em vez de pular de uma vez para uma meta alta.
  4. Observe quantos minutos seguidos você passa andando no ritmo mais forte do dia, já que esse dado também apareceu no estudo.
  5. Leve a média e as mudanças para o médico ou para o profissional de educação física antes de montar uma rotina nova.

Riscos e limites

O estudo reúne coortes, ou seja, pessoas acompanhadas ao longo do tempo. Elas não foram sorteadas para andar mais ou menos, então o resultado mostra associação e não causa. Oito dos 15 estudos não foram publicados, e os cortes de quartis mudaram de um estudo para outro. O acompanhamento teve intervalo entre 4,3 e 9,9 anos.

A faixa de passos por dia não é um limite de saúde. Ela descreve o que aconteceu com esses grupos. Quem tem doença, toma remédio ou tem limitação de movimento precisa de orientação individual. Para outro tema de mortalidade e hábitos, veja Café e saúde: menor risco de morte.

Antes de mudar qualquer hábito de saúde, converse com um profissional de saúde. A conversa pode começar pelo número de passos que você já dá, medido por alguns dias seguidos.

Fonte: The Lancet. Public health (2022), PubMed PMID 35247352, consultado em 23/10/2026.

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