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Bocejo é comportamento fisiológico, mas pode sinalizar AVC, Parkinson ou epilepsia, diz revisão de 2018

Revisão de 2018 mostra em que condições neurológicas o bocejo aparece, como AVC e Parkinson, e por que associação não é causa.

Edição: Maria Heloisa Barbosa Borges
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Bocejo é comportamento fisiológico, mas pode sinalizar AVC, Parkinson ou epilepsia, diz revisão de 2018
Imagem: yawning hunter/Flickr (CC BY-SA 4.0).

Uma revisão publicada em julho de 2018 na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria diz que o bocejo pode ser sinal de condições neurológicas. Entre elas estão o AVC, o parkinsonismo, a doença de Parkinson e a epilepsia. O bocejo é um comportamento fisiológico e estereotipado, ou seja, parecido de uma vez para outra. Quando ele aparece ao lado de uma doença do sistema nervoso, o caso pede atenção.

O artigo leva a assinatura de Hélio A. G. Teive, Renato P. Munhoz, Carlos Henrique F. Camargo e Olivier Walusinski. Teive e Camargo atuam em serviços de neurologia no Paraná, no Brasil. Munhoz trabalha no Toronto Western Hospital, no Canadá. Walusinski atua em clínica geral na França.

Em quais condições o bocejo aparece

O resumo separa as condições em grupos. Cada grupo tem uma frequência diferente, e o próprio texto marca essa diferença com expressões como "mais raramente" e "muito raro".

Grupo no resumo Condições citadas
Primeiras citadas AVC, incluindo a parakinesia brachialis oscitans; parkinsonismo; doença de Parkinson; epilepsia
Mais raras Hipertensão intracraniana, tumor cerebral, esclerose múltipla, migrânea, malformação de Chiari tipo I e esclerose lateral amiotrófica
Induzido por drogas Condição clínica pouco comum
Muito raro Autismo e esquizofrenia

As condições do segundo grupo são bem diferentes entre si, de um tumor à migrânea. O que as junta, nesta revisão, é o bocejo aparecer nelas com menos frequência.

O primeiro grupo é o que o resumo cita primeiro. Um dos pontos mais concretos aparece na parakinesia brachialis oscitans, ligada ao AVC. A figura 3 do artigo mostra um paciente com hemiplegia à direita causada por AVC isquêmico, com essa manifestação.

Na outra ponta, o bocejo é muito raro em pacientes com autismo e esquizofrenia. O resumo também cita o bocejo induzido por drogas como condição clínica pouco comum.

O que a revisão queria descrever

O objetivo do trabalho foi descrever em detalhes a ocorrência do bocejo nessas condições. Os autores também olharam a fenomenologia, que é a forma como o bocejo se apresenta, e a fisiopatologia, que são os mecanismos do corpo por trás dele.

Para quem lê notícia, essa diferença importa. Uma revisão reúne o que já foi publicado sobre o tema e organiza esse material. Ela não cria um exame nem substitui uma consulta. O bocejo, sozinho, não fecha diagnóstico de nada.

Associação não é causa. Quando um sintoma aparece junto de uma doença, isso mostra que os dois andam juntos. Não mostra que um provoca o outro. É essa a leitura correta do resumo, e vale guardá-la antes de tirar qualquer conclusão pessoal.

Como aplicar o que o estudo mostra, sem exagero

Os passos abaixo são de observação, não de tratamento.

  1. Repare se o bocejo ficou mais frequente que antes, sem motivo claro.
  2. Anote a data, o horário e os outros sintomas que aparecerem no mesmo período.
  3. Leve essas anotações à próxima consulta, sem esperar que a lista fique grande.
  4. Evite mudar remédio, sono ou rotina por conta própria com base nesta leitura.

Riscos e limites

Revisões reúnem estudos que já existem. O alcance dos achados depende de quais estudos entraram na conta e de como cada um foi feito.

O maior risco é tirar conclusão de um sintoma isolado, sem a avaliação de quem conhece o caso. Um bocejo sem outros sinais não tem o mesmo peso de um bocejo que vem junto de uma doença já conhecida. Essa distinção só se faz com exame e histórico clínico.

Procure um profissional de saúde antes de mudar qualquer hábito. Um neurologista ou um clínico geral pode dizer o que faz sentido no seu caso.

O artigo completo está disponível em PDF, em inglês, na página da SciELO. Veja também a editoria de Curiosidades e a de Brasil para outras pautas.

Fonte: Teive et al., 2018, Arquivos de Neuro-Psiquiatria (SciELO): revisão sobre bocejo na neurologia, consultado em 26/10/2026.

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