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Césio-137 em Goiânia: 112.800 pessoas monitoradas, 4 mortes e 3.500 m³ de rejeito guardado

Como começou o acidente com o césio-137 em Goiânia, quantas pessoas foram monitoradas, as quatro mortes e onde está o lixo radioativo até hoje.

Edição: Bruno Teles
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Césio-137 em Goiânia: 112.800 pessoas monitoradas, 4 mortes e 3.500 m³ de rejeito guardado
Imagem: Antti Leppänen/Wikimedia Commons (CC BY 4.0).

O acidente com o césio-137 em Goiânia começou em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi manuseado de forma indevida. Dentro dele havia uma fonte de cloreto de césio. Ao ser violada, a fonte espalhou um pó azul brilhante em diversos locais da cidade. Ao todo, 112.800 pessoas foram monitoradas, 249 tiveram contaminação importante e quatro morreram nas semanas seguintes.

Como começou o acidente com o césio-137

O aparelho funcionava no Instituto Goiano de Radioterapia. Depois de abandonado, foi removido e manipulado no dia 13 de setembro. Como ele tinha chumbo, material de algum valor, acabou vendido para um depósito de ferro-velho. O dono do depósito repassou a fonte a outros dois depósitos, e fragmentos foram distribuídos a parentes e amigos, que os levaram para casa. Assim, o material saiu de um ponto e chegou a várias casas.

Cena de reportagem: césio-137: 38 anos do acidente de Goiânia e decisões do STJ em defesa das vítima, no trecho “Os 16 dias até a descoberta” Reprodução/cdn.jornalopcao.com.br. Fonte

Os 16 dias até a descoberta

Os primeiros sinais vieram logo: náusea, vômito, diarreia, tontura e lesões parecidas com queimaduras na pele. Algumas pessoas procuraram hospitais da cidade, sem que o problema fosse ligado ao material. A virada veio quando a esposa do dono do depósito, desconfiada de que a peça tinha relação com o mal-estar da família, levou o objeto à Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde. Ali o material foi identificado como radioativo.

O acidente só foi reconhecido em 29 de setembro, 16 dias depois da manipulação. A partir daí, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) foi comunicada e avisou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Um plano de emergência reuniu CNEN, Furnas, Nuclebrás, Defesa Civil, o Hospital Naval Marcílio Dias, a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás, o Hospital Geral de Goiânia e outras instituições.

Como foi a resposta e o que se fez com as vítimas

As primeiras medidas foram identificar, monitorar, descontaminar e tratar a população envolvida. Sete focos principais de contaminação foram isolados, e a triagem de pessoas começou no Estádio Olímpico. Para limpar esses locais, grandes quantidades de solo foram retiradas e construções foram demolidas. Emergências que tiram famílias de casa, como a chuva que deixou 17 pessoas fora de casa em cidades paulistas, também exigem resposta rápida dos órgãos públicos.

Dos 112.800 monitorados, 249 tiveram contaminação importante. Desses, 120 tinham contaminação só em roupas e calçados e foram liberados depois da descontaminação. Os outros 129 passaram a receber acompanhamento médico regular. Dentro desse grupo, 79 com contaminação externa foram tratados em regime ambulatorial. Já 50 com contaminação interna ficaram em albergues em semi-isolamento, ou foram encaminhados ao Hospital Geral de Goiânia.

Dos 14 casos graves levados ao Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, quatro morreram. As mortes ocorreram cerca de quatro a cinco semanas após a exposição, por hemorragia em dois pacientes e infecção generalizada em outros dois. Oito tiveram a Síndrome Aguda da Radiação, 14 tiveram falência da medula óssea e um sofreu amputação do antebraço. Outras 28 pessoas desenvolveram a Síndrome Cutânea da Radiação, com lesões na pele. Até hoje, muita gente associa doença de pele à falta de higiene, segundo uma pesquisa do Datafolha.

O lixo e o acompanhamento que seguem

O acidente gerou 3.500 m³ de lixo radioativo, acondicionado em containers concretados. O destino definitivo fica em Abadia de Goiás, a 23 km de Goiânia, onde a CNEN instalou o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste. Lá o material é monitorado e o ambiente é controlado. A meia-vida física do césio-137 é de cerca de 33 anos, então o rejeito exige cuidado por décadas.

Em fevereiro de 1988, o governo de Goiás criou a Fundação Leide das Neves Ferreira para acompanhar os efeitos da radiação nas vítimas. Os grupos de monitoramento seguiram normas internacionais, com critérios como a gravidade das lesões na pele e a intensidade da contaminação interna e externa. Quem quiser ler o histórico oficial, com a linha do tempo e os dados de cada etapa, pode começar pela página do governo de Goiás sobre o tema.

Fonte: goias.gov.br

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