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Doença de pele que não pega é ligada à falta de higiene por quase metade das pessoas

Quase metade das pessoas ouvidas em pesquisa de 2020 liga dermatite atópica à falta de higiene. Veja os números e o que muda na vida.

Doença de pele que não pega é ligada à falta de higiene por quase metade das pessoas
Imagem: Shixart1985/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Quase metade das pessoas ouvidas numa pesquisa do Datafolha de 2020 associa a dermatite atópica à falta de higiene. Para quem convive com a doença, essa crença pesa tanto quanto a coceira.

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica e de origem genética. Ela seca a pele, deixa lesões avermelhadas e causa prurido, a coceira intensa. A doença não é contagiosa. Dá para pegar de alguém? Não. Mesmo assim, o preconceito chega à escola, ao trabalho e à família.

O que a pesquisa mostra sobre a dermatite atópica

O Datafolha ouviu 1.001 pessoas por telefone, entre 9 e 23 de outubro de 2020. Os resultados saíram em setembro de 2021. A tabela transforma os percentuais em número de pessoas.

Crença Percentual Pessoas (de 1.001)
Associa a doença à falta de higiene 47% cerca de 470
Quem tem lesão visível não deveria sair de casa para estudar ou trabalhar 36% cerca de 360
Quem tem lesão visível não deveria usar transporte público 33% cerca de 330

Na prática, quase 470 das pessoas ouvidas ligam a doença à sujeira. Outras 360 acham que quem tem lesões visíveis deveria ficar em casa.

Quando a crença chega à escola

Pietro Medeiros tem 8 anos e mora em Cachoeirinha (RS). Ele foi diagnosticado com a forma grave da doença, atendido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Com o tempo, a inflamação na pele veio acompanhada de depressão e ansiedade.

Na escola, um colega que teve escabiose, a sarna humana, disse ter pego a condição de Pietro. O garoto repetia o que tinha ouvido do pai. Uma professora também perguntou se a dermatite era contagiosa. Depois desses episódios, o menino não queria mais ir às aulas.

Com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, os sintomas melhoraram. Pietro voltou à escola e às brincadeiras, ainda com lesões.

Por que a doença pesa mais que a pele

Uma revisão publicada na Scientific Reports, em abril de 2024, reuniu 17 estudos de intervenção. Os tratamentos farmacológicos melhoraram a ansiedade e a depressão de forma significativa. A revisão está em link.springer.com.

Um dado de 2,3% de prevalência ainda circula em textos sobre o tema. Só que o relatório preliminar da consulta pública da Conitec, de julho de 2025, aponta uma faixa de 5,4% a 20,1%, conforme idade e método. Ou seja, o número de 2,3% fica abaixo da faixa oficial. O relatório está em gov.br/conitec.

A dermatologista Rosana Lazzarini, primeira-secretária da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que a coceira atrapalha o sono, os estudos e o trabalho. O estresse pode aumentar a coceira, mas não causa, sozinho, a dermatite atópica.

Linha do tempo:

  • Outubro de 2020: coleta da pesquisa do Datafolha, de 9 a 23.
  • Setembro de 2021: resultados divulgados.
  • Abril de 2024: revisão publicada na Scientific Reports.
  • Julho de 2025: consulta pública da Conitec.
  • Novembro de 2025: a Portaria Conjunta nº 28 aprova o protocolo clínico da doença (PCDT), do Ministério da Saúde. A íntegra está em gov.br/saude.

O que muda para você

Quem tem a doença pode buscar apoio fora do consultório. Veja por onde começar:

  • Grupos gratuitos: a Associação de Apoio à Dermatite Atópica realiza encontros em diferentes cidades, com orientação de profissionais de saúde.
  • Psicoterapia: ajuda a lidar com vergonha, preconceito e dificuldades nas relações, segundo a psicóloga Tarcila Cicchini.
  • Fila do SUS: pacientes aguardam consulta psiquiátrica. A maquiadora Rebecca Castelo Branco, de Uberlândia (MG), é uma delas. Ela reduziu as sessões de terapia particular para pagar o tratamento dermatológico.

A dermatologista alerta que o desânimo diante da demora na melhora pode fazer pacientes passarem meses ou anos sem voltar ao consultório. Para quem tem lesões no rosto, a rotina muda antes de a pele melhorar. Rebecca não se maquia há meses e evita relacionamentos até se sentir melhor com a própria aparência.

Fonte: UOL

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