Entenda por que Avenida Brasil, vendida para 132 países, tinha gente comum como protagonistas
Avenida Brasil foi vendida para 132 países. Veja o detalhe do subúrbio e da vilã Carminha que fez a novela cruzar fronteiras e chegar à Turquia.

Avenida Brasil foi vendida para 132 países até janeiro de 2016 e ocupa o topo do ranking de programas mais vendidos ao exterior pela Globo, segundo dados da Diretoria de Negócios da emissora. O que ajudou a trama a viajar foi um detalhe simples: as protagonistas eram gente comum do subúrbio, não milionários da Zona Sul.
O que os números dizem sobre a venda de Avenida Brasil
Os 132 países compraram os direitos de exibição, e a conta é da própria Globo. Na lista de campeãs de exportação da empresa, nenhuma outra produção aparece à frente.
| Assunto | Avenida Brasil foi vendida para 132 países; o detalhe que fez a novela cruzar fronteiras |
|---|---|
| Data | 26/10/2026 |
| Fonte | memoriaglobo.globo.com |
O interesse não ficou só nos contratos. O capítulo final virou assunto na imprensa estrangeira. O The Guardian, jornal britânico, destacou que a presidente Dilma Rousseff mudou a agenda para não coincidir com o último episódio. A BBC, o Washington Post e a Forbes lembraram que a audiência poderia sobrecarregar o fornecimento de energia elétrica, o que não aconteceu.
Os veículos estrangeiros citaram o mesmo motivo para o sucesso: a novela retratava a vida da nova classe média brasileira.
Por que o subúrbio do Divino fez a trama viajar
A história se passa no Divino, bairro fictício do subúrbio carioca. Quase não havia espaço para a Zona Sul. O foco estava na Zona Norte e nos arredores da Avenida Brasil.
Os personagens também não eram donos de um padrão de vida inalcançável. Tufão, vivido por Murilo Benício, enriqueceu e não saiu do bairro. Monalisa, de Heloísa Périssé, tentou se mudar para a Zona Sul, estranhou vizinhos que não se conhecem e voltou para o Divino.
Esse orgulho de bairro deu à história uma identidade clara. Quem via de fora entendia a vida de quem não era rico, e isso viaja melhor do que cenário de luxo.
Uma vilã construída com Dostoiévski
O autor João Emanuel Carneiro contou que se inspirou em personagens de Dostoiévski, cheios de paradoxos, para criar Carminha, vivida por Adriana Esteves. A vilã não era só má. Tinha contradições, e é isso que prende o espectador em qualquer idioma.
A crítica reconheceu o trabalho. Em dezembro de 2012, a novela levou o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte, e Adriana Esteves e José de Abreu foram eleitos os melhores atores do ano. Em 2013, Avenida Brasil foi indicada ao Emmy Internacional de Melhor Novela, mas perdeu para Lado a Lado.
Do capítulo ao Twitter e à adaptação turca
Em casa, o público comentava tudo no Twitter a partir das 21h. As hashtags da novela chegavam aos Trending Topics todos os dias, e muita gente trocava a foto de perfil por um avatar congelado no cinza, imitando o fim de cada capítulo.
Onze anos depois da exibição original, em outubro de 2023, a Globo vendeu o formato da novela para a primeira adaptação internacional, feita pela Turquia. A venda do formato à Turquia foi um acordo inédito até então para a trama.
A produção também gerou assunto nos bastidores: a Globo lavou o lixão de Avenida Brasil e recriou até estádio para dar realismo ao cenário. E a força da personagem Carminha segue viva, como mostra a volta da vilã em Avenida Brasil 2.
Onde acompanhar a história hoje
Para ver os capítulos recentes e entender de onde vem a fama internacional, vale acompanhar a reexibição da novela na programação da Globo e comparar a cena do confronto entre Carminha e Nina com o que a imprensa estrangeira destacou.
Fonte: memoriaglobo.globo.com


