Fim da escala 6x1: pequenos comércios planejam contratar, mas a conta pode não fechar
O fim da escala 6x1 começa em dezembro e pequenos comércios planejam contratar e mudar folgas. Veja o que muda e por que a conta preocupa.

O fim da escala 6x1 começa a valer em dezembro, e pequenos comércios de São Paulo já estão fazendo as contas. Segundo a Folha, lojistas planejam contratar, recorrer a parentes e mudar as folgas dos funcionários. Só que a conta nem sempre fecha.
Falta mão de obra, e as vendas estão fracas em muitos pontos do comércio. Por isso, o que chega ao trabalhador como mais descanso pode virar um custo novo para o dono da loja. Veja o que muda e por que a conta preocupa.
O que muda com o fim da escala 6x1
O Congresso Nacional promulgou a mudança no dia 16 de outubro. No lugar da escala 6x1, com seis dias de trabalho e um de folga, entra a 5x2, com dois dias de descanso remunerado por semana.
- Quando começa: em dezembro.
- Carga horária: cai de 44 para 42 horas semanais e depois para 40, sem redução de salário.
- Folgas: lojistas ouvidos pela Folha planejam manter o domingo de folga e fixar mais um dia, no começo da semana.
Se você trabalha no comércio, a folga muda de cara. Ela deixa de ser um dia qualquer da semana e passa a ser um dia fixo.
Quem consegue absorver a mudança
Nem todos os comércios começam do mesmo lugar. Sônia Alves, de 47 anos, toca um varejo de roupas com o irmão e duas funcionárias. Os sobrinhos de 16 e 17 anos entram como aprendizes nos dias de folga, e pai e mãe também ajudam. Para ela, quem não tem esse apoio sente mais o peso.
Sônia também fala das lojinhas de bairro e dos mercadinhos com dois ou três funcionários. Segundo ela, o governo mudou a escala, mas não criou auxílio, como redução de impostos ou crédito, para ajudar essas contratações.
Márcia Ribeiro Silva, gerente de uma loja na Lapa, afirma que os empresários ainda não sabem como será a adaptação. Ela diz que há donos de pequenos negócios planejando demitir, e que a lógica seria o próprio dono assumir a escala e não contratar ninguém. A reportagem não traz levantamento que meça quantos casos existem.
Quanto custa e onde a conta aperta
Em uma loja de roupas no centro de São Paulo, Clara Santos Abreu trabalha sozinha, de segunda a segunda. Ela estima que precisaria de dois funcionários para cumprir a nova jornada, mas prefere pagar hora extra a contratar mais um. Segundo ela, treinar gente nova também pesa, porque o cliente desiste quando a venda demora.
Paula Goldberg, dona da marca Maria Bonita, diz que o desafio é achar candidatos, porque já há escassez de mão de obra. Ela pretende tirar o trabalho aos sábados do setor administrativo e fixar as folgas de cada funcionário, para que a equipe se planeje melhor.
Então, a conta fecha? Depende da loja. Quem tem família para cobrir folgas, ou uma equipe maior para dividir a escala, ainda tem fôlego. Quem trabalha sozinho ou tem poucos funcionários sente o impacto de frente.
O caso mais pesado da reportagem vem da padaria do bairro Santa Cecília, com 27 funcionários. O dono, Daniel Oliveira Marques, calcula que precisará de pelo menos seis ou sete pessoas a mais para equilibrar as escalas. Segundo ele, a folha de pagamento vai subir no mínimo R$ 12 mil, sem contar encargos.
Para o dono da padaria, cada folga a mais vira custo direto no caixa.
Fonte: Folha Mercado



