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TV por assinatura no Brasil: 7 milhões de acessos e queda de 65%

A TV paga tem 7 milhões de acessos, segundo a Anatel, contra quase 20 milhões em 2014. Veja quem lidera, a tecnologia usada e as regras da lei do setor.

Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

Capa tipográfica com o número 7 milhões e o texto TV por assinatura no Brasil
Acessos de TV paga em julho de 2026, segundo a Anatel. Arte: TV de Perto

A TV por assinatura tinha 7,03 milhões de acessos no Brasil em julho de 2026, segundo a Anatel. Em novembro de 2014, no auge da série, eram 19,8 milhões: queda de 65%.

A redução continua. Em 12 meses, de julho de 2025 a julho de 2026, o setor perdeu 1,1 milhão de acessos, recuo de 13,6%. Os números abaixo foram calculados a partir dos dados abertos da agência, conferidos em 25 de setembro de 2026.

Quantos assinantes a TV paga tem hoje

A Anatel publica o total de acessos mês a mês nos dados abertos do setor, também visíveis no painel de TV por assinatura.

Mês Acessos
Novembro de 2014 (pico da série) 19.842.737
Dezembro de 2020 14.828.708
Dezembro de 2023 11.714.413
Julho de 2025 8.135.823
Julho de 2026 7.027.494

Fonte: Anatel, dados abertos de acessos de TV por assinatura.

Quem são as maiores operadoras

A Claro concentra mais da metade do mercado, com 3,78 milhões de acessos (53,8%) em julho de 2026. A Sky vem em seguida, com 1,94 milhão (27,5%), e a Vivo em terceiro, com 718 mil (10,2%).

As três somam 91,5% dos acessos. Todas encolheram em 12 meses: a Claro perdeu 13,2% da base, e a Sky, 14%. Depois delas aparecem a Mileto, com 274 mil acessos, e mais 153 prestadoras com acessos ativos, 138 delas com menos de 5 mil cada.

Satélite, cabo ou fibra

O satélite ainda é a tecnologia mais usada, com 49,1% dos acessos em julho de 2026. O cabo coaxial responde por 36,9%, e a fibra óptica, por 13,9%.

Tecnologia Acessos (jul/2026) Participação
Satélite (DTH) 3.450.105 49,1%
Cabo coaxial (HFC) 2.594.077 36,9%
Fibra óptica (FTTH) 976.969 13,9%
Outras 6.343 0,1%

Os dados da Anatel também separam 1,09 milhão de acessos na modalidade que a agência classifica como "livre via satélite", quase todos da Claro.

Onde estão os assinantes

São Paulo reúne 39% dos acessos do país, com 2,74 milhões. Rio de Janeiro (12,7%) e Minas Gerais (9,4%) completam o grupo dos três maiores estados.

Rio Grande do Sul, com 6%, e Bahia, com 5,8%, vêm em seguida. Quase todos os contratos são de pessoas físicas: 94,6% dos acessos, contra 5,4% de empresas.

A lei que organiza o setor

A TV por assinatura é chamada oficialmente de Serviço de Acesso Condicionado, o SeAC, criado pela Lei 12.485, de 2011. A lei entrega a regulamentação do serviço à Anatel e à Ancine, cada uma no âmbito de suas competências.

A mesma lei vale para qualquer tecnologia, seja satélite, cabo ou fibra. O que a define é a recepção condicionada à assinatura paga, e não o meio usado para levar o sinal até a casa.

As cotas de conteúdo brasileiro

O artigo 16 obriga os canais de espaço qualificado a exibir 3h30 por semana de conteúdo brasileiro no horário nobre, metade de produtora independente.

Espaço qualificado, pela lei, é a programação que exclui jornalismo, esporte, programas de auditório com apresentador, conteúdo religioso ou político, publicidade e televendas.

O artigo 17 exige que, em cada pacote, a cada três canais desse tipo, ao menos um seja brasileiro, até o limite de 12. Essas cotas valiam por 12 anos, mas a Lei 14.815, de 2024, estendeu a regra até 31 de dezembro de 2038.

Os canais que toda operadora precisa entregar

O artigo 32 obriga as operadoras a oferecer, em todos os pacotes e sem custo extra, os canais de distribuição obrigatória. Entre eles estão os canais abertos das emissoras locais, da área de cobertura de cada uma.

A lista inclui ainda canais da Câmara dos Deputados, do Senado, do Supremo Tribunal Federal, da radiodifusão pública do Poder Executivo, um canal comunitário, um universitário e um legislativo para câmaras municipais e assembleia estadual.

TV paga e streaming não são a mesma coisa

Streaming de filmes e séries por assinatura não é TV por assinatura na lei: ele fica fora do SeAC e dos números da Anatel. Por isso, a queda da TV paga não mede sozinha quantas casas deixaram de pagar por vídeo. A comparação com a audiência está em streaming x TV aberta, e os preços, em quanto custa cada streaming.

Para o assinante, a diferença aparece também no cancelamento. Como a TV por assinatura é serviço regulado, entra no Decreto 11.034/2022, que manda o pedido de cancelamento ter efeito imediato. O passo a passo está em como cancelar e seus direitos.

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