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Streaming x TV aberta: o que dizem os dados de audiência no Brasil

TV aberta ainda lidera o consumo de vídeo no Brasil, com 55,5% em agosto de 2026, mas o vídeo online já tem 37,2%. Veja os números do IBOPE e do IBGE.

Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

Capa tipográfica com a divisão do consumo de vídeo entre TV linear e vídeo online no Brasil em agosto de 2026
Share do consumo de vídeo em todos os aparelhos das casas medidas pelo IBOPE, 15 regiões metropolitanas. Arte: TV de Perto

Em agosto de 2026, a TV linear ficou com 62,8% do consumo de vídeo nas casas medidas pelo IBOPE, e o vídeo online, com 37,2%. Sozinho, o YouTube teve 21,7%, mais que a TV paga.

A resposta curta para "o streaming já passou a TV aberta?" é não. A resposta longa depende de onde se mede: no aparelho de TV da sala, a vantagem da TV é bem maior; somando celular, tablet e computador, a distância encurta.

Os números oficiais mais recentes

O IBOPE mantém uma página com o share de audiência de vídeo do Cross Platform View, que junta TV linear e vídeo online no mesmo painel. O dado mais recente disponível em 25 de setembro de 2026 é o de agosto.

Todos os aparelhos, agosto de 2026 Share
TV aberta 55,5%
TV paga 7,4%
TV linear (total) 62,8%
YouTube 21,7%
Netflix 5,5%
TikTok 5,3%
Globoplay 1,5%
Prime Video 1,1%
Disney+ 0,5%
HBO Max 0,4%
Outras 1,0%
Vídeo online (total) 37,2%

Fonte: IBOPE, Audiência de Vídeo, consumo domiciliar, total de indivíduos, 15 regiões metropolitanas, 01/08/2026 a 31/08/2026. As parcelas foram arredondadas pela fonte.

Na TV da sala, a TV aberta ainda domina

Quando o IBOPE olha só para os aparelhos de TV, conectados ou não, o quadro muda bastante. A TV linear sobe para 74,9% e o vídeo online cai para 25,1%.

Somente TV e TV conectada, agosto de 2026 Share
TV aberta 66,1%
TV paga 8,8%
YouTube 14,9%
Netflix 5,7%
Globoplay 1,5%
Prime Video 1,2%
Disney+ 0,5%
HBO Max 0,4%
Outras 1,0%

Fonte: IBOPE, Audiência de Vídeo, mesmo período e recorte. O TikTok não aparece separado no recorte da TV.

O YouTube é o maior rival da TV aberta

Em todos os aparelhos, o YouTube sozinho teve quase quatro vezes a fatia da Netflix (21,7% contra 5,5%). Ele também superou a soma de todos os serviços de streaming por assinatura listados pelo IBOPE.

Na tela da sala, a diferença diminui, mas continua: 14,9% do YouTube contra 5,7% da Netflix. Na prática, a disputa pelo tempo de tela no Brasil é entre a TV aberta e o vídeo gratuito, e não entre a TV e os catálogos pagos.

O que o dado não mede

Há dois limites declarados pelo próprio IBOPE. A medição é domiciliar: considera o consumo dentro das casas das 15 regiões metropolitanas do painel. E o medidor de internet olha a rede doméstica, desconsiderando o consumo feito pela banda larga móvel.

A conta também exclui conteúdo não identificado e outros usos do aparelho de TV, como consoles e games. Por isso, o vídeo visto no celular na rua, no 4G ou no 5G, fica de fora. O funcionamento do painel está detalhado em como funciona a audiência da TV no Brasil.

Quantas casas pagam streaming, segundo o IBGE

O IBGE mede outra coisa: não o tempo de tela, mas o que existe dentro de casa. Na PNAD Contínua TIC, divulgada em julho de 2026 com dados de 2025, 44,4% dos domicílios com televisão tinham serviço pago de streaming de vídeo, o equivalente a 33,4 milhões de casas.

Em 2024, a proporção era de 43,4%. O Centro-Oeste lidera, com 51,5%, e o Nordeste tem a menor taxa, 30,7%, segundo a Agência de Notícias do IBGE.

A antena continua na maioria das casas

No mesmo levantamento, 85,8% dos domicílios com TV recebiam o sinal aberto por antena convencional em 2025, o que equivale a 64,5 milhões de casas. A proporção caiu frente aos 86,5% de 2024, mas o número absoluto subiu em 907 mil domicílios.

A TV por assinatura segue outro caminho: estava em 23,5% dos domicílios com TV em 2025, queda de 0,8 ponto percentual em um ano. Os números do setor estão em TV por assinatura no Brasil hoje.

Streaming e TV aberta moram na mesma casa

O IBGE mostra que uma coisa não substitui a outra na maioria dos lares. Entre os domicílios com streaming pago, 85,7% também tinham sinal de TV aberta e 38,9% tinham TV por assinatura em 2025.

Só 9,0% das casas com streaming pago não tinham acesso nem à TV aberta nem à paga. Esse grupo, porém, vem crescendo: era 6,1% em 2023 e 8,2% em 2024.

Renda separa quem paga streaming

A diferença de renda é grande. Em 2025, o rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios com streaming pago foi de R$ 3.072, mais que o dobro dos R$ 1.454 das casas sem o serviço, segundo o IBGE.

Nos lares com streaming pago e canais fechados ao mesmo tempo, a média chegou a R$ 4.241. Quem quer comparar o custo mensal de cada serviço encontra a tabela em quanto custa cada streaming no Brasil.

Como ler esses números sem cair em armadilha

Share de vídeo e posse de serviço respondem a perguntas diferentes. O IBOPE diz quanto tempo de tela cada um ocupa; o IBGE diz quantas casas têm cada serviço. Uma casa pode pagar três streamings e passar a maior parte do tempo na TV aberta.

Também não dá para trocar share por ponto de audiência. O share é a fatia entre quem está consumindo vídeo naquele momento; o ponto é 1% de todo o universo, como explica quanto vale um ponto de audiência.

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