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SBT recua após culpar EBC por propaganda que ficou sem som

O SBT News culpou a EBC pela propaganda de Flávio Bolsonaro sem áudio, errou e pediu desculpas. O TSE manda reexibir o programa nesta quarta (14) e cobra as emissoras.

Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

O candidato Flávio Bolsonaro, de blazer azul, fala ao microfone em palco do Grande Encontro do Associativismo, em São Paulo, em 13 de outubro de 2026
Foto: Vittor Sales/Agência Brasil. Fonte original

O SBT News culpou a EBC pela propaganda de Flávio Bolsonaro sem som na TV, errou e pediu desculpas. O TSE mandou reexibir o programa nesta quarta (14).

O erro começou às 13h de segunda-feira, 12 de outubro, quando o bloco do candidato do PL foi ao ar só com imagem. A primeira explicação publicada pelo SBT News apontou a empresa pública de comunicação como responsável. Horas depois, o próprio portal corrigiu o texto.

O que o SBT escreveu depois de errar

A versão atual da reportagem do SBT News traz, logo abaixo do título, uma frase de correção: "Erramos: ao contrário do afirmado anteriormente, a falha de conversão do programa bolsonarista foi cometida por um técnico da TV Senado".

No corpo do texto, o portal diz que a informação inicial recebida era de que a responsabilidade seria da EBC. Em seguida, afirma que a estatal "é responsável apenas pela transmissão do material já finalizado". E fecha o parágrafo sem rodeio: "Pelo erro cometido, o SBT News pede desculpas".

A Agência Brasil, que pertence à própria EBC, registrou a retratação ainda no dia 12, em reportagem de Pedro Peduzzi publicada às 17h35.

Por que a EBC reagiu no mesmo dia

A EBC divulgou uma nota à imprensa com o título "EBC não teve participação em falha na exibição do programa do candidato Flávio Bolsonaro". O texto, reproduzido na íntegra pela Agência Brasil, diz que a falha atingiu "igualmente todas as emissoras que transmitem o horário eleitoral gratuito".

Segundo a nota, toda a operação de exibição da propaganda presidencial é de responsabilidade do pool de emissoras, e a exibição do dia estava a cargo de outra empresa do grupo. O pool é formado por emissoras de rádio e TV e organizado pela Abert, a associação do setor, com base no artigo 64 da Resolução TSE 23.610/2019.

A EBC também agradeceu ao SBT por reconhecer publicamente que se equivocou ao acusá-la "injustamente" e informou que aguarda o pronunciamento da Abert sobre as causas.

O que o TSE diz que aconteceu

A nota oficial do tribunal, divulgada em 13 de outubro, é curta e não cita nenhuma emissora específica. Ela fala em "problema técnico no Pool de Mídias".

O texto explica que, na finalização das mídias, antes da exibição, "não foram carregados os áudios de nenhuma das duas propagandas de televisão em bloco" das 13h. Houve tempo hábil, porém, para corrigir antes do segundo programa, o de Lula. O arquivo de Flávio foi corrigido depois e, segundo o TSE, seria reexibido nos termos da Resolução 23.776/2026.

Um detalhe pesa na leitura: a nota do TSE não menciona a TV Senado. A atribuição a um técnico da casa legislativa aparece na correção do SBT News, e este texto só a reproduz como está publicada ali.

A campanha entregou o arquivo certo?

Segundo o SBT News, a campanha de Flávio disse que o material foi entregue "em perfeitas condições" e "averiguado e auditado pela plataforma homologada".

O TSE chegou à mesma conclusão sobre o arquivo. Na decisão sobre a reexibição, informa que o programa foi ao ar em rede nacional apenas com imagem, "embora o arquivo enviado pelo partido estivesse íntegro" e tivesse sido validado pela equipe técnica do pool dentro do prazo regulamentar.

A conclusão vem de um laudo da Secretaria de Auditoria do tribunal sobre a transmissão da tarde de 12 de outubro.

A decisão de Nunes Marques: reexibição e conta para as emissoras

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a reexibição integral da propaganda de Flávio. O pedido partiu do PL. Ele acolheu integralmente as medidas propostas pela auditoria.

A nova exibição deve ocorrer nesta quarta-feira (14), durante a programação normal das emissoras do pool, imediatamente depois do horário reservado à propaganda eleitoral gratuita. Quem costuma ver o horário político às 13h ou às 20h30 deve esperar o programa logo na sequência, e não no meio da novela ou do jornal.

Os custos ficam com as próprias emissoras, conforme a norma. O ministro citou o princípio da isonomia e disse que a medida preserva a comunicação com os eleitores e a igualdade da disputa. Nas fontes consultadas não há registro de que a reexibição já tenha ido ao ar, então esta reportagem trata o fato como determinado, e não como cumprido.

O que o TSE exigiu das emissoras para não repetir

A decisão traz duas ordens práticas. A primeira: todas as emissoras do pool devem ser comunicadas com urgência e conferir os arquivos exportados nas ilhas de edição antes de enviá-los aos servidores de transmissão.

A segunda tem prazo. O grupo precisa informar ao TSE, em até 24 horas, quais medidas adotou para corrigir falhas operacionais e evitar novas ocorrências.

Para o telespectador, a parte útil é simples: o problema foi apontado na etapa de finalização, antes de o sinal sair para o país, e é nessa etapa que o tribunal mandou reforçar a conferência.

As redes falaram em censura. O que as fontes sustentam

Segundo o SBT News, a falha repercutiu nas redes sociais, onde usuários chegaram a afirmar que o candidato era alvo de censura. O próprio Flávio Bolsonaro gravou um vídeo dizendo que "não existe coincidência" e que "isso não acontece por acaso", conforme a reportagem.

As fontes oficiais descrevem outra coisa. O TSE fala em problema técnico no pool de mídias e atribui a responsabilidade às emissoras. O tribunal não afirma que houve ação deliberada, e nenhum dos documentos consultados diz isso. O que está documentado é a falha, a retratação e a reexibição.

O programa que ninguém ouviu

O vídeo original foi personalizado para o feriado de Nossa Senhora Aparecida, segundo o SBT News. A reportagem descreve uma narradora afirmando que, se eleito, Flávio manterá a santa como padroeira do Brasil, e depois a participação de Daniella Marques, Tereza Cristina e Michelle Bolsonaro.

Quem assistiu ao bloco às 13h viu tudo isso sem ouvir uma palavra. Por isso a reexibição pesa mais do que um reparo técnico: o programa é o tempo de TV a que o candidato tem direito.

No segundo turno, as regras do TSE reservam a propaganda de 9 a 23 de outubro, em dois formatos: 10 minutos diários em bloco, divididos igualmente entre os candidatos, e 25 minutos diários de inserções de 30 a 60 segundos, sendo 12 minutos e 30 segundos para cada chapa, segundo o SBT News. Os horários estão na nossa matéria sobre o horário eleitoral do 2º turno na TV.

Por que a correção importa para quem só leu a primeira versão

Quem leu só o primeiro texto do SBT News ficou com a EBC como culpada. A versão corrigida tira essa acusação, e a nota do TSE tira também a ideia de falha isolada de uma empresa: ela fala do pool.

É o tipo de episódio que lembra por que vale conferir a data de atualização de uma notícia de TV antes de repassar. A retratação saiu no mesmo dia, mas quem compartilhou a primeira versão no WhatsApp não recebe o aviso. A EBC ainda aguarda a explicação da Abert sobre as causas, e esse é o ponto que segue aberto.

Para acompanhar o desfecho, vale conferir a nota do TSE e as próximas publicações do SBT News, que tem canal próprio na TV por assinatura e no streaming. A resposta das emissoras ao tribunal vence em 24 horas.

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