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Cafeteira de Cambridge virou fama mundial, mas o equipamento quebrou e o projeto parou

A história da câmera que vigiava a cafeteira do Trojan Room, em Cambridge, desde 1991, e de como ela virou a cafeteira mais famosa do mundo na web.

Edição: Maria Heloisa Barbosa Borges
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Cafeteira de Cambridge virou fama mundial, mas o equipamento quebrou e o projeto parou
Imagem: Reprodução/live.staticflickr.com.

Uma cafeteira num corredor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, virou a mais famosa do mundo. O motivo foi uma câmera ligada a um computador, que mostrava a jarra quase em tempo real para quem estivesse na rede. Tudo começou com uma fila de café que nunca andava.

Por que a cafeteira precisou de uma câmera

Na sala chamada Trojan Room, cerca de quinze pesquisadores trabalhavam com redes de computadores. Ninguém ali tinha dinheiro sobrando. Todos dividiam uma única máquina de café filtrado, que ficava no corredor, do lado de fora da sala.

Quem morava em outros andares precisava subir vários lances de escada para pegar um café. Muitas vezes era viagem perdida: os programadores da madrugada já tinham levado a jarra. Foi daí que nasceu o XCoffee, o sistema que avisava a todos o estado da cafeteira.

Cena de reportagem: the Cambridge Camera Bag Is The Camera Bag Harry Potter Would Have Used Cult of, no trecho “Como o sistema funcionava” Reprodução/wallpaperaccess.com. Fonte

Como o sistema funcionava

A câmera ficou presa num suporte de laboratório, apontada para a máquina. Os fios passavam por baixo do piso até um equipamento de captura de vídeo na Trojan Room. Um dos pesquisadores escreveu o programa servidor. Ele tirava fotos da jarra a cada poucos segundos, em resoluções diferentes.

Outro escreveu o programa cliente. Qualquer pessoa do laboratório podia rodá-lo e ver um ícone pequeno da cafeteira no canto da tela. A imagem atualizava cerca de três vezes por minuto, em tons de cinza. Para a cafeteira, bastava. Ela enchia devagar, e o café também não tinha cor.

Montar tudo levou um dia, ou pouco mais. Ele mesmo disse que foi a coisa mais útil que fez na época. Rendeu mais assunto em jantares do que os protocolos de rede.

Da sala de pesquisa para a web

O sistema ganhou os jornais antes de ganhar a internet. Bob Metcalfe escreveu sobre ele na revista Comm Week, em 27 de janeiro de 1992, depois de visitar o laboratório. Com o sucesso, surgiram ideias para outros monitores, com vídeo de poucas imagens por segundo.

Só que o equipamento antigo de captura acabou quebrando, e o projeto parou. Sem Daniel Gordon e Martyn Johnson, a cafeteira teria caído no esquecimento. Os dois recuperaram o sistema, colocaram uma placa nova de captura e publicaram as imagens na World Wide Web. Desde então, centenas de milhares de pessoas olharam para a cafeteira.

A ideia de uma câmera que mostra algo que ninguém vê ao vivo também rende enredo na TV. Em Quem Ama Cuida, a personagem Adriana esconde uma câmera na coleira de cachorrinha para descobrir uma ligação suspeita. Na própria novela, a mesma tática volta quando a câmera na coleira de Maria Antonieta flagra Zeni com Pilar. Nos dois casos, a câmera fica escondida. Na cafeteira, ela estava à vista de todos.

O que dá para ver hoje

A página original da universidade ainda está no ar, com uma linha do tempo da cafeteira. Quem quer a história completa pode começar por ela. É o caminho mais direto para entender o caso.

No fim, o autor da página resume o caso com humor: "I don't think the coffee's any better, though." A fama da cafeteira não veio do café.

Fonte: cl.cam.ac.uk

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