Pular para o conteúdo

Netflix recria experimento de Stanford em reality com 30 pessoas numa prisão real; estreia é em 21 de outubro

O Novo Experimento de Aprisionamento de Stanford chega à Netflix em 21 de outubro, com seis episódios e 30 participantes sorteados como guardas ou detentos.

Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

O psicólogo Philip Zimbardo, autor do experimento de Stanford de 1971, fala com microfone de lapela e gesticula durante conferência em Budapeste, em 2017
Foto: Elekes Andor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Arquivo original, CC BY-SA 4.0

O Novo Experimento de Aprisionamento de Stanford estreia na Netflix em 21 de outubro, com seis episódios. Nele, 30 participantes entram numa prisão real, sorteados como guardas ou detentos.

Quando O Novo Experimento de Aprisionamento de Stanford estreia?

No dia 21 de outubro, com seis episódios, segundo o Netflix Tudum, que publicou os detalhes da série nesta quinta-feira (1º). A estreia entra na lista do mês ao lado das outras estreias do streaming em outubro.

O que foi o experimento de Stanford de 1971?

Foi o estudo do psicólogo Philip Zimbardo, feito numa prisão falsa no campus da Universidade de Stanford. Universitários homens foram sorteados como guardas ou prisioneiros. A ideia era que o estudo durasse uma ou duas semanas, mas ele saiu do controle em apenas seis dias. Mais de 50 anos depois, o Tudum o descreve como um dos maiores exemplos da psicologia a não serem seguidos.

A pergunta central do original volta no reality: o poder é capaz de mudar pessoas comuns?

O que muda na nova versão da Netflix?

Quatro coisas, pelo relato do Tudum:

  • Prisão de verdade. O estudo de 1971 usou uma cadeia montada no campus; o reality foi gravado numa prisão real, com detentos reais no local.
  • Grupo misto. O original só tinha universitários homens. Agora há mulheres, e o elenco foi escolhido para variar origem geográfica, convicções políticas, histórico socioeconômico e experiência de vida.
  • Proteções. Testes psicológicos antes da entrada, palavra de segurança para sair a qualquer momento e psicólogos acompanhando o tempo todo.
  • Supervisão de especialistas, coisa que o estudo original não teve.

Por que a série causou revolta quando foi anunciada?

Por causa do que aconteceu em 1971. A produtora executiva Jane Lipsitz, da Alfred Street Industries, contou ao Tudum que muita gente se revoltou com a ideia e que ela entende a reação. "Apenas recriar o experimento original seria impensável", disse. A equipe, segundo ela, passou mais de um ano desenvolvendo a série com outra abordagem.

Como os participantes ficaram protegidos?

Todos se inscreveram sabendo do que se tratava e fizeram testes psicológicos antes de entrar. Cada um tinha uma palavra de segurança para deixar o experimento quando quisesse, e uma equipe de psicologia ficou disponível o tempo todo, com psicólogos monitorando para intervir se surgisse preocupação com o bem-estar de alguém.

Como as gravações foram feitas sem roteiro?

As câmeras rodaram 24 horas por dia, sete dias por semana. Para reduzir a interferência, o contato com a produção foi restrito ao máximo, com câmeras robóticas dentro da prisão. Nas entrevistas, os participantes não viam quem fazia as perguntas. Como câmeras já fazem parte da vida moderna, eles começaram a falar direto com as câmeras, o que, para o Tudum, mostra como a relação com a tecnologia mudou desde 1971.

"A única forma de fazer isso era sem um roteiro", disse Lipsitz, que liga o estudo de Stanford aos experimentos sociais que inspiraram os reality shows. Quem acompanha confinamento na TV aberta conhece a lógica de como funciona a semana de A Fazenda, mas aqui os papéis de poder são sorteados.

Quem são os especialistas do reality?

São três, e Lipsitz conta que eles discordavam entre si:

  • Alison Wood Brooks, psicóloga comportamental de Harvard, ajudou a pensar a psicologia do experimento e a garantir as proteções éticas.
  • Trymaine Lee, jornalista vencedor do Pulitzer, com reportagens sobre o furacão Katrina, o sistema judiciário, política e cultura pop.
  • Michael Cantrell, aposentado do serviço penitenciário federal dos EUA, com quase 30 anos de experiência, apontava o que parecia autêntico ou não numa prisão.

O que a produção diz que o reality descobriu?

Sem adiantar o que acontece, Lipsitz chama a gravação de uma das experiências mais surreais da carreira. "A gente nem imaginava o que iria descobrir ao longo do processo", afirmou. O desejo dela é que a série faça as pessoas conversarem sobre poder, autoridade e conformidade.

Fontes

Mais sobre

Para continuar no assunto