Pular para o conteúdo

Fernanda Montenegro e o Oscar de 1999: quem concorria com ela

Fernanda Montenegro concorreu ao Oscar de 1999 com Cate Blanchett, Meryl Streep, Emily Watson e Gwyneth Paltrow, que levou. Veja os filmes e o que ela disse.

Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

Fernanda Montenegro em close, olhando para o lado, durante debate na Flip de 2014
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR). Arquivo original, CC BY 3.0 BR

Fernanda Montenegro disputou o Oscar de melhor atriz em 21 de março de 1999, por Central do Brasil. Perdeu para Gwyneth Paltrow, de Shakespeare apaixonado.

A derrota ainda volta às redes todo ano, perto da cerimônia, segundo o O Globo. Para entender o resultado, vale olhar as cinco indicadas e os filmes que elas levavam.

Quando foi a cerimônia e o que o Brasil disputava

A 71ª cerimônia do Oscar foi num domingo, 21 de março de 1999, no Dorothy Chandler Pavilion, em Los Angeles, e premiou os filmes lançados em 1998, segundo a página oficial da Academia.

Central do Brasil, de Walter Salles, saiu dali com duas indicações: melhor atriz, para Fernanda Montenegro, e melhor filme em língua estrangeira, pelo Brasil. Nenhuma das duas virou estatueta.

As cinco indicadas a melhor atriz

A lista da Academia tem cinco nomes. A tabela junta cada atriz ao filme e ao saldo dele naquela noite.

Atriz Filme Indicações do filme Vitórias do filme
Fernanda Montenegro Central do Brasil 2 0
Cate Blanchett Elizabeth 7 1 (maquiagem)
Meryl Streep Um amor verdadeiro (One True Thing) 1 0
Emily Watson Hilary e Jackie 2 0
Gwyneth Paltrow Shakespeare apaixonado 13 7

Fonte: Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Os títulos em português seguem o relato do O Globo.

Quem levou, e por que o filme dela pesava mais

Gwyneth Paltrow ganhou por Shakespeare apaixonado, que chegou com 13 indicações e saiu com sete estatuetas, entre elas a de melhor filme e a de atriz coadjuvante para Judi Dench. Era o filme mais indicado da noite.

Central do Brasil chegou com duas indicações. A diferença de 13 para 2 já dava o tamanho da campanha de cada lado.

O prêmio de filme estrangeiro ficou com A vida é bela

No outro lugar em que o Brasil estava na disputa, quem venceu foi A vida é bela, da Itália, com Roberto Benigni. O filme levou três das sete indicações: melhor ator para o próprio Benigni, melhor trilha dramática e melhor filme em língua estrangeira.

Central do Brasil concorreu nessa categoria com outros quatro países: Irã (Filhos do paraíso), Espanha (O avô), Argentina (Tango) e a própria Itália.

O que Fernanda disse sobre a noite

Em 2018, no programa Milênio, da GloboNews, ela falou da lista de rivais sem drama. "Blanchett no seu auge, fez duas Elizabeths extraordinárias... tinha mais alguém lá. Como eu ia pensar em ganhar alguma coisa?", disse, segundo o O Globo. E completou: "Fiquei lá, foi interessante, importante".

Ela não menospreza a noite: na mesma entrevista, chama a experiência de "humana" e "espantosamente interessante de ver".

A campanha da Miramax e a reclamação do produtor

Um dia depois da cerimônia, o produtor de Central do Brasil, Arthur Cohn, reclamou à Folha de S.Paulo do peso do dinheiro. Segundo o O Globo, a Miramax, dos irmãos Harvey e Robert Weinstein, tinha investido 15 milhões de dólares para tentar ganhar votos de membros da Academia. A empresa estava por trás de Shakespeare apaixonado e de A vida é bela, que juntos levaram dez das 20 categorias em que concorreram.

Cohn disse que os milhões "fizeram de A vida é bela um enorme sucesso comercial" e que "o dinheiro, mais uma vez, acabou influenciando no resultado". É a opinião dele, registrada na época, e não uma decisão ou apuração da Academia.

Glenn Close, 21 anos depois

A derrota voltou à conversa em 2020. Perguntada sobre nunca ter ganhado um Oscar, a atriz americana Glenn Close, na divulgação de Era uma vez um sonho, lembrou o ano de 1999: "Eu lembro aquele ano em que Gwyneth Paltrow ganhou daquela atriz incrível de Central do Brasil. Eu pensei: 'O quê? Isso não faz sentido'". A fala também consta na reportagem do O Globo.

Por que o assunto volta toda vez que o Brasil entra na corrida

Quando o país escolhe o filme que vai tentar o Oscar, como acontece agora com Feito Pipa, o nome de Fernanda Montenegro e o ano de 1999 reaparecem como medida do que o Brasil já chegou a alcançar. A história completa das campanhas do país está em nosso guia dos filmes brasileiros no Oscar, e o calendário até o Oscar 2027 mostra o que vem pela frente.

A categoria de melhor atriz só teve outra brasileira com Fernanda Torres, por Ainda Estou Aqui, na cerimônia de 2025. Quem quer ver a Fernanda Montenegro de agora pode seguir para a 2ª temporada de Emergência 53.

A próxima data oficial é a divulgação dos indicados a filme internacional, em 21 de janeiro de 2027, segundo o calendário da Academia que publicamos no guia acima.

Fontes

Mais sobre

Para continuar no assunto