Quebra de sigilo: Lula autoriza a abertura se Flávio abrir o dele; entenda o impasse
Lula autoriza quebra de sigilo dos seus dados só se Flávio Bolsonaro abrir os dele. Veja as condições de cada lado e o que vem agora.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocam condições sobre a quebra de sigilo na reta final da campanha. Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento que autoriza a liberação dos seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico, mas só se Flávio Bolsonaro fizer o mesmo.
A disputa acontece a poucos dias do segundo turno, marcado para domingo (25). Para o eleitor, o que muda é o tamanho de cada pedido: quem entra na conta, quais dados ficam de fora e o que o outro lado exige em troca.
O que Luiz Inácio Lula da Silva propôs ao TSE
- Quem teria os dados abertos: Lula, a esposa, Janja, e os cinco filhos do petista.
- Período: os últimos 8 anos, nos sigilos bancário, fiscal e eletrônico.
- Condição: que Flávio Bolsonaro abra os próprios sigilos e os de familiares e empresas ligadas ao seu grupo.
- Familiares citados no pedido: Jair Bolsonaro (pai), Rogéria Bolsonaro (mãe), Carlos, Eduardo, Jair Renan e Fernanda Bolsonaro (esposa).
Segundo o g1, a campanha de Lula afirmou que o petista não se opõe às condições colocadas por Flávio. A mesma campanha disse que vai ao TSE nesta quinta-feira (22), às 11h, para protocolar a resposta ao adversário.
As exigências de Flávio Bolsonaro
Em resposta, Flávio fez uma contraproposta com novas exigências. Elas cobrem o período de mandatos anteriores de Lula e também a gestão atual, de acordo com a reportagem.
- Assessores: termos de autorização de quebra de sigilo de assessores próximos, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o "Marcola", ex-chefe de gabinete.
- Empresas e familiares: contas e sigilos de empresas ligadas a familiares do presidente, incluindo sociedades do filho Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", além do Instituto Lula e da L.I.L.S.
- Caso Master: divulgação integral de registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes da reunião entre Lula e Daniel Vorcaro em dezembro de 2024.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que Flávio fez 19 exigências para abrir os seus sigilos. Alckmin também defendeu que presidente e vice não deveriam ter sigilo fiscal, bancário nem telefônico: "Vida pública é pública, tem que ser transparente."
O que Lula disse e o que vem agora
Em ato de campanha em Belo Horizonte (MG), nesta quarta-feira (21), Lula afirmou que Flávio "trucou" ao impor condições. Ele disse: "Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira." O presidente também prometeu uma resposta: "Eu vou meter um 9 na cara dele amanhã."
Até aqui, não há acordo entre as partes. O pedido de Lula depende de Flávio aceitar a reciprocidade, e as exigências do senador seguem sem resposta fechada. A resposta da campanha de Lula deve chegar ao TSE nesta quinta-feira (22).
Fonte: g1 Política



