Lula planeja enquadrar big techs e mudar governo após vitória inédita no 2º turno
Lula defende a regulação das big techs no primeiro discurso após ser reeleito e detalha planos para segurança, educação e relacionamento com o Congresso.

Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição presidencial de 2026 após uma virada inédita sobre o senador Flávio Bolsonaro. Em seu primeiro discurso após a confirmação do Tribunal Superior Eleitoral, o petista anunciou que tornará a regulação das big techs uma prioridade central de seu quarto mandato e afirmou que pretende mudar a forma de governar o Brasil.
Durante o pronunciamento realizado em um hotel na capital paulista, o presidente destacou que a regulação das plataformas digitais afetará diretamente o cotidiano dos cidadãos ao equiparar os atos no ambiente virtual às leis da vida real. O foco será coibir crimes na internet e rever a tributação sobre gigantes de tecnologia que operam no país.
Regulação das big techs e combate aos crimes digitais
Logo na abertura da fala em São Paulo, o presidente defendeu abertamente a regulação das big techs e cobrou punição para delitos na rede. Lula enfatizou que as infrações cometidas no ambiente digital precisam ter o mesmo tratamento jurídico que os crimes na vida real.
| Assunto | Regulação das big techs, segurança, educação e Congresso: o que Lula falou no primeiro discurso após ser reeleito |
|---|---|
| Data | 26/10/2026 |
| Envolvidos | Regulacao, Congresso, Lula |
| Fonte | g1 Política |
"Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto pra esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país", declarou Lula.
A declaração ocorre após relatos da equipe de campanha sobre dificuldades enfrentadas na internet durante a disputa eleitoral. Entre os episódios citados pelos coordenadores esteve a suspensão temporária da conta de anúncios do candidato petista. Um levantamento interno da Secretaria Nacional de Comunicação do PT indicou que o perfil de Flávio Bolsonaro obteve maior engajamento que o de Lula, embora contasse com menor número de seguidores.
Relação com o Congresso e atuação na segurança pública
Sobre a composição do Poder Legislativo, que teve crescimento da bancada de oposição, Lula afirmou que atuará em conjunto com os parlamentares escolhidos pelo eleitorado. O petista ponderou que não escolheu o Congresso, mas que governará para todos com respeito à Constituição.
Na área de segurança, o chefe do Executivo prometeu avanço na tramitação da PEC da Segurança Pública. A proposta amplia o papel da União na segurança e pavimenta a criação do Ministério da Segurança Pública.
"O governo federal nunca teve responsabilidade com a segurança pública porque a Constituição de 88 transferiu toda a responsabilidade para os Estados, mas está provado que os Estados não dão conta. Nós vamos entrar agora para devolver aos trabalhadores a tranquilidade de que precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão", prometeu.
Ensino, inteligência artificial própria e comunicação com o povo
O plano para a educação envolve o reforço nas disciplinas de matemática e engenharia na rede pública. A meta apresentada é desenvolver soluções nacionais e instalar data centers no país, aproveitando a matriz energética renovável brasileira para não depender exclusivamente de inteligência artificial vinda dos Estados Unidos ou da China.
O presidente informou que passará a usar a comunicação digital de forma direta com a população ao longo dos próximos quatro anos. Ele agradeceu o empenho do deputado André Janones na coordenação de grupos no WhatsApp. Lula relembrou ter recebido um aparelho celular de presente do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e disse estar aprendendo a utilizar o dispositivo para mandar mensagens diárias aos brasileiros.
No setor da saúde, o discurso projetou a construção do primeiro hospital inteligente do país. Os detalhes dos projetos executivos, os calendários de envio das propostas legislativas e os prazos de implementação das medidas serão apresentados pela equipe de transição do governo federal nas próximas semanas.
Fonte: g1 Política


