Senhora do Destino: a surra em Nazaré bateu o recorde de audiência
O capítulo da surra que Maria do Carmo deu em Nazaré foi o de maior audiência de Senhora do Destino. Veja as frases da vilã, as de Giovanni e o que a novela deixou.
Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

O capítulo mais visto de Senhora do Destino foi o da surra. Numa terça-feira, 26 de outubro, Maria do Carmo (Susana Vieira) deu a sova que o público esperava em Nazaré (Renata Sorrah).
A novela de Aguinaldo Silva foi ao ar na Globo em 2004. Segundo o Memória Globo, aquele era "um dos momentos mais aguardados da trama" e rendeu o capítulo de maior audiência de toda a história.
Que capítulo foi esse, afinal?
O Memória Globo registra a data: o capítulo de maior audiência foi exibido numa terça-feira, 26 de outubro. Foi o dia em que a protagonista, Maria do Carmo, deu a surra na vilã.
Um aviso de leitura: a página do Memória Globo diz que foi o capítulo de maior audiência, mas não publica o número do Ibope daquela noite. Por isso nenhum ponto de audiência aparece aqui. O que está documentado é a posição: nenhum outro capítulo da novela chegou mais alto.
Por que o Brasil esperava tanto por essa cena?
Porque a história de Nazaré começa num crime contra Maria do Carmo. Segundo a apresentação da novela no Memória Globo, Nazaré, vestida de enfermeira, sequestra a filha recém-nascida de Maria do Carmo. Na segunda fase, a menina, batizada como Isabel, é criada como filha da vilã.
Do outro lado estava Maria do Carmo, a nordestina que sai do interior de Pernambuco com cinco filhos rumo ao Rio de Janeiro e se torna dona da loja de material de construção Do Carmo. Em Vila São Miguel, era querida e respeitada pela ética e pela generosidade. Com esse contraste montado, o acerto de contas era a cena que a plateia pedia.
Quem era Nazaré, a vilã que entrou para a história?
O Memória Globo é direto: Nazaré "entrou para a história da dramaturgia nacional como uma das maiores vilãs de todos os tempos". Renata Sorrah foi eleita melhor atriz de televisão de 2004 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) pela personagem.
Dois objetos ficaram colados nela: a escada da casa e a tesoura. Segundo a mesma fonte, viraram símbolos da personalidade psicótica da vilã.
O que segurava o público era a mistura. Nazaré era perigosa, mas fazia rir. Provocava risada nos xingamentos e também nas cenas em que se autoelogiava diante do espelho. Uma dosagem rara: o telespectador temia a personagem e não desgrudava dela. O Memória Globo resume que as cenas de Nazaré deixavam os telespectadores grudados na tela.
Os xingamentos que viraram bordão
Ela tinha apelido para todo mundo. Segundo o Memória Globo, chamava Maria do Carmo de "anta nordestina", Cláudia (Leandra Leal) de "songa monga" e Josivaldo (José de Abreu) de "flageladão".
São expressões de novela que, mais de vinte anos depois, ainda funcionam como senha entre quem assistiu. Basta dizer "songa monga" numa roda de conversa e alguém completa a cena.
As sete frases de Nazaré que o país repetiu
O Memória Globo cita estas como "pérolas" da personagem, nas palavras exatas da página:
- "Gostosa! Impressionante como o tempo só te valoriza"
- "Eu nasci linda e loira. Uma alemãzona!"
- "Loiraça gostosa, gostosona, bocão. Ah, se eu te pego!"
- "Você é má… maravilhosa!"
- "Eu sou boa pra dedéu"
- "Raposa linda, loira e felpuda"
- "Quando crescer quero ser que nem você, Nazaré Tedesco"
Repare no padrão: quase nenhuma é ameaça. A maioria é elogio a si mesma. O humor da personagem estava na vaidade, e o medo vinha da tesoura.
Quem foi Giovanni Improtta, o outro fenômeno da novela
Nazaré dividiu o brilho com um homem de gravata borboleta. Giovanni Improtta, vivido por José Wilker, é descrito pelo Memória Globo como presidente da escola de samba Unidos de Vila São Miguel, ex-bicheiro apaixonado por Maria do Carmo, que disputava o amor dela com o rival Dirceu (José Mayer).
A marca dele era o esforço para falar bonito. O jeito de falar, diz a página, "caiu nas graças do público", que reproduzia nas ruas expressões como "felomenal". O personagem veio do livro O Homem que Comprou o Rio, de Aguinaldo Silva, publicado pela Brasiliense em 1986.
O que Giovanni dizia (e a gente ainda diz)
O Memória Globo lista as frases que ele popularizou:
- "Há malas que vêm de trem!"
- "Vou me pirulitar-me"
- "Não esqueça do meu lema: com Giovanni Improtta não tem problema"
- "Então fica o dito pelo não dito, o não dito pelo dito e, como sempre, vale o escrito"
- "Aqui se faz, aqui se paga. Na vida, como no restaurante, a conta sempre chega"
- "A vaca vai voar!"
- "O tempo ruge e a Sapucaí é grande!"
- "Giovanni Improtta, em charme e osso"
A novela tinha dois fenômenos de bordão: uma que assustava rindo e outro que fazia rir sem querer. A dupla ajuda a explicar por que quem viu lembra de tanta fala.
Como a novela começou, em 1968
A primeira fase da história se passa em 1968. Para refazer o centro do Rio daquele ano, a produção teve de pintar paredes, tirar placas e usar tapadeiras nos sets, de modo a esconder a arquitetura atual da cidade, segundo o Memória Globo. As cenas de passeata exigiram a confecção de 500 faixas com dizeres.
No primeiro capítulo, a figurinista Beth Filipecki visitou residências de pessoas que viveram a vida social da época e obteve um protocolo sobre o que podia e o que não podia ser usado diante da rainha Elizabeth II, cuja visita ao Brasil aconteceu de fato em 1968. A cor roxa, por exemplo, era proibida: simbolizava o luto oficial na Inglaterra.
Ainda no primeiro capítulo, a equipe usou o efeito morph (metamorfose) para mostrar a evolução de cada personagem até o ator que o interpretaria na segunda fase.
As cenas que o autor mais destaca
Aguinaldo Silva destaca, segundo o Memória Globo, duas sequências: a de Maria do Carmo (na versão jovem, de Carolina Dieckmann) dando banho na filha no Rio São Francisco, e a do reencontro da mãe (já com Susana Vieira) com a filha, sem poder revelar que é a mãe dela.
Nos primeiros capítulos há também a cachorra Baleia, numa referência ao romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos: ela é atropelada ao tentar seguir a família no pau de arara. A tristeza do momento é pontuada por Asa Branca, entoada por um sanfoneiro cego, em participação do músico Alceu Valença.
Vila São Miguel existiu? Só dentro do Projac
A cidade cenográfica foi erguida na Central Globo de Produção (Projac), em área de mais de 10 mil m². Segundo o Memória Globo, incluía a casa e a loja de Maria do Carmo, um mini-shopping com 12 lojas, o prédio dos empreendimentos de Giovanni, dois prédios comerciais, uma igreja, uma escola e um posto de gasolina com loja de conveniência e videolocadora.
Havia ainda Pedra Lascada, comunidade de classe média baixa construída em mais de 3 mil m², com casas, comércio e a academia de luta de Shao Lin (Leonardo Miggiorin). Para as primeiras gravações, uma pequena cidade cenográfica foi levantada em Belém de São Francisco, a 480 km de Recife.
O desfile final foi gravado no Sambódromo de verdade
Muitas cenas do desfile da Unidos de Vila São Miguel, exibidas no final da novela, foram gravadas durante o desfile oficial da Grande Rio, no Carnaval, no Sambódromo. O diretor Wolf Maya escolheu o samba-enredo entre cinco composições enviadas pela escola, e integrantes e músicos da bateria apareceram no ar.
Fora da ficção, Susana Vieira desfilou como madrinha de bateria da Grande Rio. Dentro da trama, Maria do Carmo vira enredo da Unidos de Vila São Miguel: ela, os filhos, os netos, as noras e os amigos desfilam na escola.
O que Aguinaldo Silva pôs de si na novela
A protagonista, Maria do Carmo Ferreira da Silva, leva o nome da mãe do autor, e o personagem Sebastião homenageia um tio dele. Aguinaldo, que também deixou Carpina, em Pernambuco, para viver no Sudeste, fez da novela uma homenagem aos migrantes nordestinos, segundo o Memória Globo. Foi a primeira novela em que ele trabalhou com o diretor Wolf Maya.
A trilha tinha nomes grandes: Djavan, Ivan Lins, Simone, Rita Lee, Gal Costa e Zélia Duncan, entre outros, de acordo com a página da novela.
E a audiência no resto da novela, e no mundo?
O Memória Globo diz que Senhora do Destino é considerada "um marco na história da telenovela". Foi a líder de audiência no horário nobre da Globo considerando os nove anos anteriores. Na média relativa ao número de capítulos, só perdeu para O Rei do Gado, de Benedito Ruy Barbosa, exibida em 1996.
Lá fora o resultado se repetiu: altos índices em Portugal, na SIC, em horário nobre, e venda para mais de 20 países, entre eles Albânia, Argentina, Bolívia, Cabo Verde, Canadá, Costa Rica, Cuba, Equador, Eslovênia, EUA, Guatemala, Moçambique, Moldávia, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Romênia, Rússia, Uruguai e Venezuela. Para ver outras histórias que seguiram esse caminho, leia sobre as novelas brasileiras de sucesso no exterior.
Onde ver mais dessa linhagem
Para colocar Nazaré e Giovanni na linha do tempo do gênero, o caminho é a história da telenovela no Brasil. Quem quiser conhecer outros nomes que escreveram sucessos assim pode ler sobre os autores de novela do Brasil.
E para rever a escada de Nazaré, o guia de onde assistir novelas antigas mostra o que está em cada plataforma. Confira ali antes de começar a maratona.
Fontes
- Memória Globo: Senhora do Destino, Bastidores (conferido em 14 de outubro de 2026)
- Memória Globo: Senhora do Destino, Curiosidades (conferido em 14 de outubro de 2026)
- Memória Globo: Senhora do Destino (resumo, personagens e trilha sonora) (conferido em 14 de outubro de 2026)
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