Celebridade escondeu quem matou Lineu com três finais e um bolão
Em Celebridade, a Globo gravou três finais para despistar a imprensa, e o elenco fez bolão com jantar de prêmio. Veja o segredo do assassino de Lineu e mais.
Por Redação TV de Perto · Edição: Bruno Teles

Quando Celebridade chegou ao capítulo que revelaria o assassino de Lineu Vasconcelos, a Globo gravou três finais diferentes para a imprensa não descobrir quem era.
Foi em 2003, na novela de Gilberto Braga. A cena que valia foi gravada na manhã do dia em que foi ao ar. No elenco, houve bolão, com jantar de prêmio.
Três finais para quem tentasse vazar o segredo
O Memória Globo, o centro de memória da emissora, registra que as cenas que revelam a identidade do assassino de Lineu (Hugo Carvana) foram gravadas na manhã do dia em que foram exibidas. Também diz que foram gravados três finais diferentes, "para despistar a imprensa", e que a equipe tentou evitar que qualquer informação chegasse aos jornalistas.
Pense no que isso significa numa época sem rede social. Não havia print nem vídeo vazado em grupo de mensagem. O risco era a coluna de jornal, e a Globo tratou o risco com o método mais simples: se a imprensa descobrisse alguma coisa, descobriria um final que nunca iria ao ar.
Dois dos três finais existiram só para isso. O público nunca viu. O Memória Globo não conta como eram nem quem estava neles, e aqui ninguém vai inventar.
Cláudia Abreu soube dias antes
Aviso de antecipação: este trecho revela quem matou Lineu.
Segundo o Memória Globo, Cláudia Abreu tomou conhecimento de que Laura era a assassina alguns dias antes da gravação. A atriz precisou guardar por dias o destino da personagem que defendia desde o primeiro capítulo.
A Laura de Cláudia Abreu, aliás, entrou para a galeria das grandes vilãs das telenovelas, segundo o próprio Memória Globo. O registro cita a dobradinha "memorável" com o Marcos de Márcio Garcia e o Renato Mendes de Fábio Assunção.
O bolão do elenco e o jantar de Dennis Carvalho
Nos bastidores, elenco e equipe fizeram um bolão para descobrir a identidade do assassino. O diretor Dennis Carvalho prometeu um jantar ao ganhador.
Quem venceu? Um segurança do estúdio e uma assistente de figurino. Nem ator, nem diretor, nem nome de peso da ficha técnica.
O Memória Globo registra só o resultado. Mas ele diz bastante: quem passa o dia nos corredores do estúdio, entre o figurino e a portaria, enxergou mais que os astros no centro da trama.
Cláudia Abreu e Malu Mader: amigas, rivais pela primeira vez
A disputa que sustentou a novela tinha uma particularidade fora da tela. Cláudia Abreu e Malu Mader, amigas na vida real, interpretaram rivais pela primeira vez, segundo o Memória Globo. As duas fizeram muito sucesso.
Gilberto Braga voltou a trabalhar com Malu Mader, Cláudia Abreu e Isabela Garcia, trio que participou de várias tramas do autor. O Memória Globo chama Isabela de "uma espécie de mascote": aos 12 anos, ela interpretou uma órfã em Água Viva, de 1980.
O autor também resgatou os atores Roberto Pirillo e Norma Blum, que haviam feito sucesso em Escrava Isaura, de 1976, outra novela dele.
O capítulo 169 e a surra que bateu recorde
Uma das cenas mais marcantes foi ao ar no capítulo 169: Maria Clara, personagem de Malu Mader, dá uma surra em Laura. O Memória Globo diz que o capítulo bateu o recorde de audiência da novela.
A página não traz o número de pontos, então ele não entra aqui. Traz, em compensação, um detalhe de figurino: o vestido que Maria Clara usava na noite da surra fez muito sucesso.
Os terninhos e vestidos sofisticados de Malu Mader eram o que mais despertava a curiosidade do público, segundo registrou, à época, a Central de Atendimento ao Telespectador da TV Globo.
Quem fez ponta: de Roberto Carlos a Pelé
A novela falava de gente famosa, e a lista de gente famosa que passou por ela é longa. O Memória Globo cita entre os convidados que "fizeram uma ponta" João Ubaldo Ribeiro, Rita Lee, Fernanda Montenegro, Silvio de Abreu, Cacá Diegues, Zico e Pelé, entre muitos outros.
Roberto Carlos participou pela primeira vez de uma telenovela. Imagens de um show dele numa casa de espetáculos de São Paulo foram exibidas na trama, e ele contracenou com Malu Mader e Brunno Abrahão em cenas dirigidas por Roberto Talma.
Na música, as casas de show fictícias Sobradinho e Espaço Fama receberam convidados reais. No Espaço Fama deram sua "canja" João Bosco, Titãs, Ana Carolina, Vanessa da Mata, Lulu Santos e Marília Pêra, cantando Ary Barroso. O Sobradinho virou palco de Zeca Pagodinho, Gal Costa, Martinho da Vila e Simone.
A trilha trouxe ainda astros internacionais, como Julio Iglesias, Alanis Morissette e Alejandro Sanz. Malu Mader gravou uma cena com Mick Hucknall, vocalista do Simply Red, que estava no Brasil em turnê.
No último capítulo, o então ministro da Cultura Gilberto Gil aparece cantando no Espaço Fama. O próprio Gilberto Braga foi um dos convidados da gravação, no estúdio da novela, no Projac.
Uma rua de 200 metros em escala real
Para recriar no Projac (hoje Estúdios Globo) a rua inspirada no Andaraí, a equipe fez dois meses de pesquisa nas ruas do bairro carioca e na vizinhança, atrás de referências da Zona Norte. Segundo o Memória Globo, foi a primeira vez que uma cidade cenográfica foi construída em proporção real.
A rua tinha 200 metros e fachadas de oito prédios, que representavam as moradias dos personagens. Havia um campo de futebol, um casarão abandonado (depois transformado na casa de shows Sobradinho) e dois bares que serviam de ponto de encontro. Um ônibus real foi usado nas gravações.
O espectador de 2003 via uma rua de bairro. Havia ali uma construção de estúdio. Para entender como uma novela chega à tela, o texto como é feita uma novela explica as etapas.
Paris, Londres e um hotel que abriu a porta para a TV
Os primeiros capítulos mostraram cenas gravadas em pontos turísticos de Paris e Londres, como a Avenida Champs-Élysées, o Arco do Triunfo e o Parlamento britânico. Segundo o diretor de núcleo Dennis Carvalho, foi a primeira vez que uma equipe de TV teve permissão para gravar no interior do hotel parisiense George-V, um dos mais luxuosos da Europa.
A afirmação é de Dennis Carvalho, como registra o Memória Globo.
A revista Fama saiu de verdade, e a coluna social era ficção
A campanha de lançamento misturou ficção e realidade. Cerca de um mês antes da estreia, foram ao ar teasers em que colunistas de verdade comentavam os critérios para alguém ser citado em suas colunas. As chamadas imitavam o grafismo das revistas de celebridades.
A TV Globo também comprou espaço nos maiores jornais do país para publicar uma coluna social de ficção, assinada por Gilberto Braga, com o título Celebridade. A coluna retratava o universo da novela e seus personagens.
A revista fictícia Fama virou real: a Editora Globo lançou edições no fim de outubro, encartadas na revista Quem Acontece, com a cobertura dos eventos da trama e as tendências de moda e comportamento dos personagens. A novela ainda ganhou linhas de produtos com sua grife, como relógios e calçados.
Nos cenários, as revistas Fama, Palavra e Contemporânea foram criadas a partir de uma redação real, e exemplares circulavam entre os atores. Sobre quem escreveu tantas histórias assim, vale ver autores de novela do Brasil.
O crítico que reclamou da crítica
O Memória Globo registra uma referência de Gilberto Braga a um fato real. Para promover o musical Subways Are for Sleeping, em 1961, o produtor David Merrick encontrou sete nova-iorquinos com os mesmos nomes dos sete maiores críticos de teatro da cidade e usou os nomes num anúncio com aspas elogiosas.
Na novela, Maria Clara usa um ascensorista homônimo do jornalista Renato Mendes para fazer uma crítica elogiosa ao show que ela promovia, o que deixa o crítico "uma fera". O autor cita a cena de Fábio Assunção e Malu Mader no primeiro capítulo como um dos momentos brilhantes da novela.
Renato Mendes foi um dos personagens que mais se destacaram. O ator contou que uma de suas referências foi o protagonista de Psicopata Americano, de 2000.
Prêmio da crítica e exportação
Em dezembro de 2004, a trama de Gilberto Braga foi eleita pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) a melhor novela do ano.
Celebridade estreou em Portugal no mês seguinte à estreia no Brasil, no canal SIC, no lugar de Mulheres Apaixonadas. Lançada no exterior em 2004, foi vendida para vários países, entre eles Paraguai, Peru, Chile, Israel, Croácia, Rússia, Portugal, Estados Unidos, Argentina e Albânia. A lista das que viajaram está em novelas brasileiras de sucesso no exterior.
Quem quiser ver a novela dentro da linha do tempo do gênero pode seguir para história da telenovela no Brasil. Os registros de bastidor desta matéria vêm do Memória Globo, conferido em 14/10/2026, e a lista completa de curiosidades está na página da novela.
Fontes
- Memória Globo: Celebridade, curiosidades (conferido em 14 de outubro de 2026)
- Memória Globo: Celebridade, bastidores (conferido em 14 de outubro de 2026)
- Memória Globo: Celebridade (conferido em 14 de outubro de 2026)
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