João Velho aciona delegacia de crimes de informática contra perfil que exaltou condenado
João Velho, filho de Cissa Guimarães, aciona a polícia contra perfil do Instagram que exaltou o condenado pela morte do irmão, Rafael Mascarenhas.

O ator João Velho, filho de Cissa Guimarães, registrou um boletim de ocorrência e apresentou uma notícia-crime contra um perfil do Instagram. O perfil exaltou o homem condenado pela morte do irmão dele, Rafael Mascarenhas, em 2010.
O boletim foi registrado em 21 de outubro na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), no Rio. Ele classifica o caso como ameaça e apologia de crime ou criminoso.
O comentário e a reação da família
O comentário foi deixado em uma publicação de João que divulgava um trabalho artístico dele. Segundo as reportagens, a frase dizia: “Na próxima eleição teremos o Rafael Bussamra para atropelar a esquerda. Meu herói não usa capa, ele usa o volante de um carro.”
Rafael de Souza Bussamra dirigia o carro que atropelou Rafael Mascarenhas. A frase se repetiu em vários veículos, sem print oficial divulgado. O comentário foi apagado depois da repercussão.
Em vídeo, João disse que recebeu mensagens ofensivas na época da morte do irmão. Para ele, o novo comentário voltou a atingir a família. “Ele quer pegar na minha ferida mais aberta, pegar na parte que mais me dói, que é a perda do meu irmão”, afirmou.
Em entrevista ao g1, o advogado Ricardo Brajterman chamou a mensagem de “muito cruel” e disse que ela tocou num ponto sensível da família. João afirmou ainda que o pedido não depende de posição política.
Linha do tempo do caso
- 20/07/2010: Rafael Mascarenhas, de 18 anos, é atropelado na entrada do Túnel Acústico, na Gávea, zona sul do Rio, enquanto andava de skate com amigos.
- 23/01/2015: O juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, da 16ª Vara Criminal do Rio, condena Rafael de Souza Bussamra por homicídio culposo e por não prestar socorro. O pai, Roberto Martins Bussamra, também é condenado. Agência Brasil
- Mais de duas semanas antes da repercussão: o comentário é publicado.
- 19/10/2026: a notícia-crime é datada.
- 21/10/2026: o boletim é registrado na DRCI.
- 22/10/2026: o caso chega à imprensa.
- 23/10/2026: o vídeo de João repercute, e o comentário já foi apagado.
Entre o atropelamento e este 23 de outubro de 2026 passaram-se 16 anos, 3 meses e 3 dias. Para a família, o tempo não apagou a dor de ver o nome do condenado sendo exaltado.
O que João Velho pede à polícia e o que muda para você
A notícia-crime pede a abertura de inquérito e a identificação de quem está por trás do perfil. Os advogados também pedem que a Meta, responsável pelo Instagram, forneça dados como telefone, endereço cadastrado, endereços IP e registros de criação e acesso.
O que é uma notícia-crime? É um pedido feito por uma vítima ou pela defesa para que a polícia ou o Ministério Público investiguem um fato que pode ser crime. Ela não é uma condenação.
Antes de tirar conclusões, veja o que já está registrado:
- Documentos: o boletim de 21/10 e a notícia-crime datada de 19/10 existem e foram apresentados na DRCI.
- Autor: o boletim ainda não identifica quem está por trás do perfil. O nome que aparece em parte da imprensa vem do relato de João no vídeo.
- Comentário: os textos citam a mesma frase, mas nenhum deles traz print oficial.
Se um perfil assim reaparecer, o caminho é o mesmo: guarde prints com data e endereço da página, registre um boletim de ocorrência e denuncie a conta pelo próprio Instagram.
Fonte: G1



